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	<title>Caso de Polícia &#187; Crônica Policial</title>
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	<description>Polícia, Concurso, Artigos, Crônicas e Notícias</description>
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		<title>Suspeito para Sempre</title>
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		<pubDate>Wed, 19 May 2010 23:47:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em casa, procurou na internet o nome deste policial, e viu notícias de uns 6 anos atrás, sobre a morte suspeita de alguns traficantes em uma determinada favela. Diversos policiais estavam sendo acusados de executar barbaramente dois homens que já estavam detidos.]]></description>
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<p>Dia desses, era tomado o depoimento de uma mulher em um inquérito policial. Um caso clássico de “saidinha de banco”, no qual os criminosos seguem a vítima que retira dinheiro em instituição financeira, para assaltá-la. Muito, muito comum aqui na Cidade Maravilhosa, frequentemente com vítimas fatais.</p>
<p>Dessa vez, porém, os bandidos se deram mal. Um policial de folga presenciou o roubo, e, percebendo que o criminoso iria atirar contra a vítima, que resistia a entregar o dinheiro, interveio, quase sendo baleado, mas conseguiu reagir e ferir um dos assaltantes. O outro assaltante largou para trás seu parceiro de crime, e conseguiu fugir.</p>
<p>Para a sorte do assaltante ferido, como o crime estava sendo cometido em uma rua muito movimentada, passava uma ambulância, que o levou para o hospital&#8230; onde, para a sorte dos cidadãos de bem, acabou morrendo.</p>
<p>A testemunha que prestava declarações era esposa do criminoso morto. Este fato aconteceu há alguns meses atrás,  mas como ela havia se mudado para outro município, só agora era ouvida. Revelou que, à época da ocorrência, ficara indignada, pois no hospital, o policial militar de plantão lhe dissera que, com certeza, pela localização dos tiros, o bandido havia sido executado. Lá ela conseguiu o nome do policial civil que tinha ido até o hospital.</p>
<p>Em casa, procurou na internet o nome deste policial, e viu notícias de uns 6 anos atrás, sobre a morte suspeita de alguns traficantes em uma determinada favela. Diversos policiais estavam sendo acusados de executar barbaramente dois homens que já estavam detidos.</p>
<p>A esposa do assaltante neste momento já pensava em procurar o Ministério Público e associações de direitos humanos. Ora, o policial que atirou em seu marido era um “matador perigosíssimo e bárbaro”, segundo os jornais, e no hospital, outro policial lhe garantiu que ele foi executado. Se viu tentada a levar o caso para a imprensa, denunciar a suposta execução sumária. Mas ficou com medo, e desistiu. Seu filho, ainda criança, jurou que iria se tornar Delegado de Polícia e um dia prenderia esse policial, queria olhar no olho dele, chamá-lo de assassino, se vingar fazendo o certo. A sogra, que também compareceu na delegacia, revelou que rezara para que todo mal abatesse o policial e sua família, fez despacho e tudo.</p>
<p>Contada a historinha, vamos aos fatos: O policial, cujo nome ela conseguiu no hospital, não tem nada a ver com a reação ao roubo que fora praticado. Este policial apenas foi mandado para o hospital para tomar conta do bandido ferido, já que, se ele ficasse vivo, deveria ser preso em flagrante por roubo. Azar desse policial, que anos atrás havia sido acusado injustamente da morte daqueles traficantes, e, só por isso, já fora visto imediatamente como “matador” pela nossa testemunha. Uma coisa levava a outra.</p>
<p>Porém, o que as buscas feita pela testemunha na internet não revelaram, foi que esse policial, apesar de ter sofrido muito na época, quase perdendo o emprego, foi inocentado pela Justiça, provando que agiu corretamente e dentro da lei. O clamor popular gerado pela imprensa, e sua exploração sensacionalista não foi mais forte que as provas da verdade. Mas se você fizer buscas procurando o desfecho do caso, nada vai encontrar. Dezenas de reportagens acusando o policial, com fotos e entrevistas do secretário de segurança da época humilhando o servidor; a corregedoria declarando que o servidor seria demitido. E nenhuma reportagem comentando que depois o policial foi inocentado, restaurando sua moral, revelando que ele era inocente de todas aquelas acusações.</p>
<p>Veja só, após tanto tempo, por um conjunto de fatores sem conexão, este policial poderia se ver novamente nas capas dos jornais, sua vida vasculhada, sua moral achincalhada. Tudo porque, na exploração midiática, não há regras. Acusa-se, condena-se e fim de papo; igual fazem os traficantes nas favelas. Não importa se o cara era inocente na verdade, quem tinha que se promover já o fez, quem tinha que ganhar dinheiro já ganhou, e ponto final.</p>
<p>Hoje, nossa testemunha já recolocou os pés no chão. Quando dissemos que o policial amaldiçoado por eles por um bom tempo, não foi o que atirou contra o ladrão, ela ficou chocada. Hoje reconhece que seu marido era criminoso, e que buscou a própria morte no afã de manter seu vício em drogas e ganhar dinheiro fácil, na vida do crime. Percebeu que era o marido bandido quem a mantinha numa vida miserável, e agora, sem ele, finalmente ela tem uma vida digna conquistada com seu trabalho. E seu filho quer ser policial. Agora, só resta torcer para que as maldições e pragas feitas contra o policial que entrou de bucha na estória, não tenham dado certo&#8230;</p>

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		<title>Bandido bom, seria o vivo</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Jun 2009 02:45:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-328 aligncenter" title="Crônica Policial contos policiais" src="http://www.casodepolicia.com/wp-content/uploads/2007/09/cronica_policial.jpg" alt="Crônica Policial contos policiais" width="500" height="75" /></p>
<p>Lendo <a title="depoimento anonimo" href="http://depoimento-anonimo.blogspot.com/2009/06/depoimento-em-casa.html" target="_blank">este post do blog Depoimento Anônimo</a>, lembrei-me do (longo) tempo em que trabalhei no interior do estado. Nos primeiros anos, tinha escolhido trabalhar na Seção de Homicídios e Entorpecentes. Éramos duas seções em uma, pois 99% dos homicídios da cidade eram ligados ao tráfico de drogas. Cerca de 25 mortes por mês.</p>
<p>Investigar homicídio é a melhor função na Polícia Civil, é um dos trabalhos mais prazerosos quando temos sucesso (só perde para sequestro, mas essa eu ainda não experimentei). Mas não esses homicídios do tráfico. Raramente se consegue reunir provas, todo mundo tem medo ou se favorece com o tráfico de drogas, ninguém te dá informação. E quando você conclui uma investigação e vai prender um assassino, descobre ele mesmo já foi assassinado por sua própria quadrilha, ou morreu em confronto com policiais. Um saco.</p>
<p>Mas, replicando o tema do Depoimento Anônimo, lembrei-me de uma investigação passada. Um traficante de uma determinada favela estava em casa, com sua mãe, duas irmãs, cunhado, prima, primo, cachorro e papagaio. Eis que traficantes de outra quadrilha cercaram a casa para matá-lo.</p>
<p>Cheguei ao local por volta de 3 da madrugada. A casa de alvenaria parecia um queijo suíço, tinha mais buraco que parede. O traficante e a mãe estavam internados na CTI do hospital local, ambos baleados. As duas irmãs, cunhado, prima, e primo estavam mortos, espalhados (literalmente) pelo chão da casa. Até o cachorro foi alvejado por dois disparos, e o papagaio deve ter fugido, já que não encontramos o corpo.</p>
<p>Após a perícia no local, fui para o hospital, com um formulário de depoimento em mãos, prancheta e caneta. Não sabia se o criminoso-vítima resistiria aos ferimentos, e não quis arriscar. Fomos eu, e o então chefe da minha seção.</p>
<p>O bandido baleado deu informações, e apontou apelidos dos autores. Voltei na Delegacia, peguei as fotos deles em nossos arquivos (já eram figurinhas conhecidas), e segui novamente para o hospital. Colhi as declarações com detalhes da investida criminosa, e fiz o reconhecimento por foto dos criminosos. Beleza, era só indiciá-los, ouvir mais umas testemunhas, juntar algumas provas que eu já tinha conseguido, e pedir a prisão. Trabalho rápido e eficaz.</p>
<p>Na semana que se seguiu prendemos uns 5 bandidos, relatamos o inquérito, o promotor pediu a prisão preventiva, e me esqueci do caso.</p>
<p>Um ano depois, de todos esses personagens, apenas eu e os presos estávamos vivos. O criminoso-sobrevivente e sua mãe tiveram alta hospitalar, se recuperaram, e foram mortos no estado do Espírito Santo meses depois. O meu chefe foi assassinado por 3 PMs em uma festa junina, com direito a “tiro de confere” e tudo no meio da multidão (esse é outro caso, nós investigávamos um grupinho de extermínio deles, outro dia eu conto).</p>
<p>Fui convocado para depor como testemunha de acusação, no Tribunal do Júri local. Já tinha ido depor três vezes na audiência de instrução, e apontado o dedo na cara dos marginais reconhecidos. Fui ouvido, eu e mais dois policiais militares da P2. Confirmei tudo que tinha investigado, confirmei que, em vida, o criminoso-vítima tinha reconhecido por foto os réus que estavam ali em plenário. Aliás, nem todos, já que dos cinco, só dois ainda estavam vivos.</p>
<p>Ao final a surpresa. O criminoso-vítima e sua mãe, depois que saíram do hospital, tinham sido chamados a depor, e disseram ao juiz que era mentira que tinham feito o reconhecimento por foto no hospital, que eu e meu chefe que inventamos essa estória; mesmo tendo eles assinado o auto de reconhecimento, com testemunhas. Meu ex-chefe jazia em uma gaveta de cimento armado na parede do cemitério local, e não podia confirmar minha versão. Ficou minha palavra contra a dos bandidos, que se diziam inocentes, e da própria vítima.</p>
<p>Findo o Júri, os dois foram absolvidos. E eu, voltei, já resignado, para casa na capital, imaginando quanto tempo levaria para que os dois absolvidos fossem mortos por aí. No fim das contas, contabilizei uma vitória pessoal: uma boa investigação. Missão cumprida.</p>

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		<title>O Sequestro, O Governo, e os Outros</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Dec 2008 04:21:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Uma situação incontrolável. Um sequestro brutal. Uma decisão política. Uma tragédia anunciada. Uma crônica policial da realidade paralela, não muito distante.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="alignnone size-full wp-image-328" title="Crônica Policial contos policiais" src="http://www.casodepolicia.com/wp-content/uploads/2007/09/cronica_policial.jpg" alt="" width="500" height="75" /></p>
<p>Charlie estava emocionalmente dividido. A Polícia estava em estado de greve, e ele era um dos maiores incentivadores das reivindicações. Mas ao mesmo tempo, na área de circunscrição de sua delegacia, um evento que já perdurava há mais de 2 dias fazia com que todos permanecessem de prontidão, tensão total.</p>
<p>Um marginal fora de controle, armado com uma escopeta calibre 12, dominava um grupo de vítimas, homens, mulheres e crianças. Dizia que não soltaria ninguém caso não fossem atendidas suas exigências. A imprensa cobria o evento bem de perto, tornando o criminoso o centro das atenções, a celebridade instantânea da hora. Ele chegou a conceder entrevistas, e confidenciou que já planejava escrever um livro falando do caso, tão logo fossem resolvidas algumas questões de ordem técnica.</p>
<p>Charlie aguardava no local. Quem dirigia os trabalhos era uma reconhecida equipe especializada da PM, todos muito amigos de Charlie. Principalmente Mike, que era o líder de uma das equipes táticas especializadas.</p>
<p>Mike não estava animado, o comandante de seu grupamento ocupava o posto de direção por indicação política, não sabia a troco de quê. Só o que sabia é que ele não era a pessoa mais indicada para coordenar aquele tipo de atividade.</p>
<p>Ao mesmo tempo, Charlie mostrava-se angustiado. Seus melhores amigos na Polícia estavam reunidos em uma passeata, que pretendia seguir até o Palácio Governamental. Mantinha o tempo todo contato por telefone, já que não podia sair dali. Não enquanto durasse o seqüestro.</p>
<p>Charlie e Mike conversavam, sentados no meio fio. O telefone de Charlie toca, ele atende.</p>
<p>- <em>Cara, deu merda, o pau tá comendo aqui, os caras começaram a atirar e tacar bomba na gente, teve colega saindo no braço com colega, uma confusão só! Mas fica tranqüilo que estamos conversando, logo logo essa palhaçada acaba, somos tudo polícia pô! Depois te ligo, fica na boa aí!</em></p>
<p>Charlie ficou pálido. Até Mike logo percebeu, e perguntou o que tinha acontecido. Charlie explicou, mas Mike minimizou, “<em>ah, não deve ser isso tudo, nêgo não é louco pô, é todo mundo amigo, trabalhamos juntos. Teu colega deve tá exagerando por causa da emoção, fica tranqüilo. Temos que nos concentrar aqui&#8230;</em>”</p>
<p>As negociações com o seqüestrador já estavam bem avançadas. A cada hora que passava, os policiais sentiam-se mais confiantes, o tempo estava a favor deles. Logo o cansaço iria abater o criminoso; na verdade isso já teria acontecido, não fossem alguns erros do comandante. Mas tinha certeza que tudo ali iria acabar bem.</p>
<p>Já era quase noite quando outro policial chamou Mike. Charlie ficou observando de longe, curioso para saber se era uma novidade, se o seqüestrador tinha feito outra exigência. Mike passou correndo, preparando equipamentos, olhos esbugalhados, perplexo.</p>
<p>- <em>Recebemos ordens para invadir. Mandaram a gente invadir cara!</em> – dizia, enquanto arrumava o material tático no cinto.</p>
<p>- <em>Porra, como assim invadir!? O procedimento está correto pô! Alguns erros, mas tudo vai indo bem. É questão de tempo terminarmos isso de uma forma muito positiva. Não tem sentido invadir, vai arriscar a vida daquelas pessoas à toa! Você sabe disso melhor do que eu!</em></p>
<p>- <em>Pô,  eu sei, mas mandaram cara. Devem saber de alguma coisa que nós não sabemos, sei lá. Nós vamos entrar, eles devem saber o que estão fazendo. Estourar a porta e entrar, nós vamos entrar</em> – disse Mike.</p>
<p>- <em>Cacete, já que é assim, dá um murro naquele bandido safado por mim, e boa sorte cara, te cuida!</em></p>
<blockquote><p>. . . 2 horas antes, no gabinete do Palácio Governamental . . .</p></blockquote>
<p>- <em>Sr. Governador, a situação saiu de controle lá fora. Os policiais estão se agredindo, é possível acontecer uma tragédia&#8230;</em></p>
<p>- <em>Não se preocupe, Sr. Governador</em> – cortou o Assessor Para Assuntos de Interesse do Governo – <em>eu já mandei ordens para acabarem com tudo logo, lá fora tem gente nossa, eles vão resolver o mais rápido possível.</em></p>
<p>- <em>Não é bem assim</em> – falou mais alto o Assessor de Imprensa e Dissimulação – <em>isso vai dar problema, os tablóides do país todo vão colocar isso na primeira página, vão cair de pau em cima da gente, e logo agora que está sendo escolhido outro governo. Vão falar disso até fora do país!</em></p>
<p>O poderoso governador então bateu a mão com força sobre a antiga mesa, mantida no gabinete desde os tempos do regime militar.</p>
<p>- <em>O que você quer que a gente faça então, seu infeliz!? Não posso demonstrar que sou alcançável! Sou o ser superior, o escolhido, o intocável. Essa gente do proletariado não pode chegar aqui, essa&#8230; essa ousadia, quem eles pensam que são!</em></p>
<p>- <em>Não Sr., não estou falando que não podemos usar de todos os meios possíveis para enfraquecê-los, se o Sr. acha que tem que bater, eu apóio, vamos bater forte! Mas é que, o Sr. sabe, estou aqui para que sua imagem não seja manchada, isso não pode ganhar destaque, temos que criar uma distração, como fazemos sempre que alguém descobre algum de nossos esquemas</em> – disse, olhando para baixo, o Assessor de Imprensa e Dissimulação.</p>
<p>- <em>Então, o que propõe afinal?</em></p>
<p>- <em>Bom, tem um negócio aí, do outro lado da cidade, os tablóides só falam nisso. Parece que tem um seqüestro ou algo assim, que já dura um tempão. Eu pensava em usar isso no final, para mostrar o quanto nosso governo é bom, depois que prendermos esse sequestrador. Então, se isso acontecer logo hoje, a imprensa tá toda lá mesmo, vai dar primeira página, pensa só, “A Tropa do Governo coloca atrás das grades mais um criminoso, trazendo segurança para todo o estado&#8230;”!</em></p>
<p>- <em>Excelente, até que enfim você serviu para alguma coisa!</em></p>
<p>- <em>Mas Sr. Governador, isso não é assim</em> – interferiu o Assessor Para Assuntos de Interesse do Governo &#8211;  <em>aqueles homens que estão lá nesse negócio de seqüestro não podem fazer as coisas assim, pode acabar em tragédia, e&#8230;</em></p>
<p>- <em>Ai, minha paciência&#8230; então você quer fazer uma chacina aqui em baixo, na rua em frente ao Palácio, mas não pode ter chacina lá? Aqui a situação é pior, envolve mais gente</em> – disse o governador.</p>
<p>- <em>Pode ser uma tragédia</em> &#8211; insistiu.</p>
<p>- <em>Então, quer melhor que isso? Esqueceu que aqui todo mundo é paranóico com tragédias, ninguém vai nem lembrar do que aconteceu lá fora, só vão falar disso! É brilhante!</em></p>
<p>- <em>Sou eu</em> – disse o Assessor de Imprensa e Dissimulação, já falando ao telefone – <em>é, é para invadir hoje, AGORA!&#8230; não interessa, depois a gente te transfere, sei lá, você diz onde quer comandar, a gente dá um jeito, mas manda os caras invadirem e acabarem com isso logo, agora&#8230; AH! E não esquece, deixa o pessoal da imprensa com acesso livre, para eles conseguirem fazer boas imagens, pra ficar bem comovente no jornal da noite</em>.</p>

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		<pubDate>Wed, 10 Sep 2008 21:55:02 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[
Você sabe qual seria a diferença entre um policial britânico, um australiano e um americano?
Situação: você está caminhando com sua esposa e um filho pequeno por uma rua deserta. De repente, aparece um homem mal-encarado ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img title="Crônica Policial contos policiais" src="http://www.casodepolicia.com/wp-content/uploads/2007/09/cronica_policial.jpg" alt="" width="500" height="75" /></p>
<p>Você sabe qual seria a diferença entre um <strong>policial britânico</strong>, um <strong>australiano</strong> e um <strong>americano</strong>?</p>
<p><img class="right" title="chucky boneco assassino com faca" src="http://www.casodepolicia.com/wp-content/uploads/2008/09/boneco_assassino.jpg" alt="" width="150" height="174" />Situação: você está caminhando com sua esposa e um filho pequeno por uma rua deserta. De repente, aparece um homem mal-encarado segurando uma faca enorme e afiada. Ele olha para você, grita palavrões, aponta a faca e parte para te atacar. Você, exímio atirador, está portando uma Glock 9mm. Você tem apenas alguns segundos antes que ele chegue em você e sua família.<br />
O que você faria?</p>
<h3>Resposta do policial britânico:</h3>
<p>Bem, as informações não são suficientes para responder à questão!</p>
<ol>
<li> O homem aparenta ser pobre ou oprimido?</li>
<li> Eu tinha feito alguma coisa que provocou o ataque?</li>
<li> Eu e minha família conseguiríamos correr?</li>
<li> O que minha mulher pensa sobre isso?</li>
<li> E meu filho, o que pensa?</li>
<li> Será que daria para eu segurar a arma pelo cano, como um bastão, e derrubar a faca?</li>
<li> O que diz a lei sobre este tipo de situação?</li>
<li> A pistola Glock é uma arma segura?</li>
<li> Aliás, eu poderia estar portando uma arma? Que tipo de mensagem isso passa para a sociedade e para meu filho?</li>
<li> Será que o homem se contentaria em matar somente à mim, sem ferir minha família?</li>
<li> Afinal ele quer me matar, ou se satisfaria apenas me ferindo?</li>
<li> Se eu o agarrasse pelas pernas, daria tempo para minha família correr enquanto ele me esfaqueia?</li>
<li> Não deveria primeiro ligar para 190?</li>
<li> Porque a tal rua é tão deserta? Não deveríamos ter cobrado do governo maior segurança, feito um mutirão para limpar e pintar o local e torná-lo mais alegre, saudável, desencorajando este tipo de comportamento?</li>
<li> Se eu apontar a arma e ele fugir, serei culpado se ele tropeçar, cair no chão, bater a cabeça e morrer?</li>
<li> Se eu atirar nele e for condenado na Justiça, ele vai poder me processar, eu vou perder meu emprego, minha credibilidade e a casa onde moramos?</li>
</ol>
<h3>Resposta do policial australiano:</h3>
<p><strong>BANG!</strong></p>
<h3>Resposta do policial americano:</h3>
<p><strong>BANG! BANG! BANG! BANG! BANG! BANG! BANG! BANG! BANG! BANG! BANG! BANG!</strong><br />
click… <em>(barulho de arma sendo recarregada…)</em><br />
<strong> BANG! BANG! BANG! BANG! BANG! BANG! BANG! BANG! BANG! BANG! BANG! BANG!</strong><br />
click.</p>
<p>Filho do policial: ‘Agrupou bem os tiros, pai! Estas eram aquelas munições especiais da Winchester?’</p>
<p>* Esta eu vi <a title="uk police" href="http://pcfrankyfact.blogspot.com/2007/09/being-police-officer-in-uk.html" target="_blank">neste blog policial da Inglaterra</a> e não podia deixar de colocar aqui, numa tradução livre, é claro. De qual resposta mais se aproxima o caso dos policiais brasileiros? <img src='http://www.casodepolicia.com/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>

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