Crime e Massa Crítica

Li o post do blog Direito e Trabalho, cujo feed assino, sobre uma recente ocorrência policial da cidade de Porto Alegre, e fiquei impressionado com as imagens de um vídeo do fato (link na imagem abaixo).

O movimento intitulado Massa Critica é formado por pessoas que pregam o uso de bicicletas para a locomoção, ao invés de veículos automotores, principalmente carros. Ideia legítima e atual, penso eu. Faço o mesmo para me deslocar dentro do bairro onde moro. Para ida ao trabalho não dá, pois moro a mais de 40 Km de distância de minha atual lotação, e o trânsito no Rio, pela total desorganização do poder público, e falta de educação dos motoristas, é perigoso até para quem está dentro de ônibus, que dirá sobre uma bicicleta.

O que se vê nas imagens é uma impressionante sequência de atropelamentos, provocados por um motorista furioso por ficar preso atrás de uma barreira de bicicletas. Convicções ideológicas à parte, o que se vê é uma atitude desumana, uma falta de respeito à vida sem tamanho.

Os ciclistas obviamente participam do movimento ecológico em desacordo com as normas de trânsito (artigo 58 do CTB), mas em pleno exercício do direito de manifestação. Sim, centenas de pessoas são prejudicadas, todos temos horários a cumprir, e não é porque alguns pensam de determinada forma que os demais assim se obrigarão. Mas, cabe àquela parcela da sociedade, que fica retida no trânsito formado pela manifestação, que cobre das autoridades de trânsito as providências para impedir ou minimizar os danos. Aliás, a omissão das autoridades de transito é ainda mais evidente ao constatarmos, no site do próprio movimento, que o passeio é realizado toda última sexta-feira de todos os meses do ano.

Eu mesmo já participei de dezenas de “caminhadas”, “protestos”, a maioria classista, reivindicações por melhores salários para os policiais, condições de trabalho, etc. E, também, já fiquei retido no trânsito centenas de vezes por conta de manifestações outras, das quais não participava. Mas, faz parte do jogo democrático, conquanto os serviços de emergências (como ambulâncias) não sejam retidos.

É chato mesmo, já tentei implantar a ideia de que fizéssemos uma passeata caminhando em uma espécie de fila indiana, andando apenas pelas calçadas, mas fui voto vencido. Penso que o impacto visual seria até maior do que uma massa caminhando pelo meio da via. E, de quebra, não colheríamos opiniões desfavoráveis de motoristas irritados, de trabalhadores que perdem o horário do trabalho. Bom, fica a sugestão.

Agora, do caso de polícia em si, me parece bem evidente que o motorista furioso não se preocupou com a vida alheia, e assumiu o risco de matar, esfolar e arrastar todas as pessoas que estivessem em seu caminho. E, para piorar, o fez com seu filho de 15 anos dentro do carro, uma influência negativa e tanto. A alegação de que os ciclistas tentavam danificar o veículo que tentava furar o bloqueio não justifica nem de longe a violência empregada pelo desequilibrado condutor do automóvel. Nas imagens pode se ver muitos outros veículos retidos no mesmo trânsito.

Me parece que o vídeo foi divulgado recentemente, talvez antes mesmo da primeira análise do caso pela Polícia local, e, diante dessa nova prova, muito do que foi dito na imprensa, vai por água abaixo. Que os manifestantes tenham calma nesse momento inicial, forneçam todas as informações para a Polícia para fins de prova da intenção do motorista, e, principalmente, acompanhem o andamento do processo até o fim, e cobrem do Ministério Público a máxima atenção ao caso, gravíssimo.

Repugnante

Estupefato eu fiquei. Vou te contar. Infelizmente já vi em vídeos do Youtube centenas de cenas de violência policial praticadas contra cidadãos inocentes ou criminosos. São momentos em que sinto grande e verdadeira vergonha de compartilhar de um cargo policial com determinadas pessoas.

Mas, verdadeiramente, hoje não fiquei só enojado ou envergonhado. Senti na verdade uma ânsia de vômito. Desgosto. Abominável.

Em São Paulo, a imprensa noticiou um caso que ocorreu em 2009. Agentes da corregedoria da PCSP preparam um flagrante, com o intuito de prender uma escrivã acusada de receber propina para ajudar um criminoso. Eles mesmos filmam. O que segue, no vídeo que pode ser visto nas páginas do heróico Flit Paralisante, é de se lamentar.

Nem vou escrever sobre o assunto, não há nada a ser dito, as imagens falam por si. Criminoso é preso porque desrespeita a lei, mas também tem a proteção da mesma lei, e o que se vê é um escárnio. Não é violando leis e direitos humanos consagrados internacionalmente que se combate crime. As mulheres, principalmente, imagino o que sentiram ao ler a notícia e ver as imagens.

Sobre a parte legal, basta ler este artigo, acho até que o professor pegou leve.

Fico imaginando, se fizeram isso com uma mulher que sabe e entende seus direitos, é instruída, etc… imagino o que não fazem com cidadãos mais humildes. É o fim.