3 Anos de Caso de Polícia

Meus amigos, hoje, 22 de abril de 2010, o blog Caso de Polícia completa 3 anos de existência. O tempo voou mesmo, e desde 2007 perseveramos aqui.

Agradeço aos sagazes leitores e debatedores que visitam esse blog com frequência, e engrandecem nossos debates de forma inteligente e responsável.

Rogo novos aniversários do blog sejam repetidos por muito tempo, e que sejamos testemunha de mudanças positivas em todo o sistema policial do Brasil.

Obrigado pelas visitas! Parabéns ao CdP!!!!

Manchetes Reeditadas

Chega a ser nostálgico esse clima de espanto, difundido pela imprensa, teatralizado pelas autoridades públicas, e tratado com o menosprezo tradicional pelos cidadãos que comentam as notícias. Falo da mais recente leva de “denúncias inéditas” sobre a tal “Máfia dos Caça-níqueis” ou do “jogo-do-bicho”, ou qualquer dessas pragas similares.

Todo mundo está falando tudo o que foi falado antes, e antes, e antes. E essa falta de novidades torna o trabalho de pesquisa e informação realmente muito chato.

Que os esquemas dos contraventores têm força descomunal há muito tempo, não é novidade. Em todas as grandes metrópoles brasileiras. A PF sabe, a PCs sabem, a PMs sabem, as secretarias de segurança que mandam nas PCs e PMs sabem, o governador que manda na secretaria de segurança que mandam nas polícias sabem, os deputados estaduais que fiscalizam o governador que manda na secretaria de segurança, que manda nas polícias sabem, o povo que fiscaliza as assembléias legislativas que fiscalizam o governador que manda nas secretarias de segurança que mandam nas polícias sabem. Até a imprensa sabe que todos sabem, inclusive ela, que explora matérias sazonais sobre esse mesmo tema, e repentinamente, com a mesma sazonalidade, se cala, olvidando-se de seu importante (quiçá único) papel no jogo democrático, que é denunciar o que está errado, e continuar denunciando quando o que está errado permanece em seu status quo ante.

Será que dessa vez seria diferente? Ou a proximidade do período eleitoral é que causa essa revoada de lixo no ventilador, e em breve, finda a tempestade, nos basta esperar pela nova leva de notícias da série “mais do mesmo”. Sério, dá para escrever artigos rapidamente, estilo “copia e cola”, é só mudar as datas e, eventualmente, algum dos nomes dos envolvidos. Estou esperando esse circo pegar fogo há tempo demais.

O caminho apontado pela sociedade média é liberar geral, legalize-se tudo, é cada um por si. Os estudiosos tecem lá suas críticas, e continuam estudando para elaborar novas críticas, para os mais novos escândalos, velhos escândalos de sempre.

E enquanto isso, a jogatina corre solta, no mesmo esquema do tráfico de drogas. Ou será que ninguém nunca pensou nesse paralelo? Ora, se é tão falado por aí que o usuário é que financia o tráfico de drogas, não menos óbvia é a conclusão de que são os populares, inocentes e injustiçados, que mantém viva a chama da contravenção, financiando desde carnavais com alta captação de valores do erário público, até atentados terroristas no meio da cidade.

Será uma batalha sem fim? Ou o fim é protelado porque os interesses passam longe, e bem mais alto, do que aqueles visados pelos notórios contraventores? Ricos e famosos, adorados nos carnavais. Ricos e famosos delinquentes.

Ora, dê-nos um tempo dessa hipocrisia, todos os que vêm bradando indignação por aí têm o poder, e alguns até o dever, para fazer com que se acabe ou se deixe essa situação menos imoral. E se não o fizeram, não o fazem, ou nem virem a fazê-lo, tudo bem, tudo bom, vida que segue, estamos nos acostumando. Só não me criem falsas expectativas. Sou policial, e no Rio de Janeiro. De falsas expectativas já estou cheio.