Arrogância e Inépcia política em São Paulo

Arrogância e inépcia política em São Paulo

Por Luciano Porciuncula Garrido *

A mídia em geral, e sobretudo as emissoras de televisão, não têm prestado bons serviços na cobertura da crise da segurança pública em São Paulo. Suas atenções ficam voltadas para o lado mais espetaculoso dos acontecimentos, atendo-se quando muito aos seus aspetos mais factuais. O cidadão, ao acessar as notícias veiculadas, permanece mergulhado na mais absoluta ignorância, sem elementos para uma compreensão mais abrangente da crise.

Em relação à greve da Polícia Civil de São Paulo, não tem havido qualquer espaço para análises e contextualizações que não sejam unicamente pelo viés eleitoral. Como se a gravidade que envolve a gestão da segurança pública em São Paulo fosse decorrente tão-somente de um confronto partidário às vésperas da eleição municipal.

Em nenhum momento se percebe um genuíno interesse no diagnóstico mais amplo e abalizado da segurança pública no estado. Temos em São Paulo uma das polícias civis mais competentes do país, que, no entanto, recebe um dos salários mais baixos. Como explicar essa penúria em que vive a polícia do estado mais rico da federação? Por que não abordar as inúmeras conseqüências desse arrocho salarial, cujos reflexos beiram inclusive os limites da integridade institucional?

Temos visto reiteradas denúncias em relação à “banda pobre” da instituição e suas ligações promíscuas com facções criminosas e outros ramos da contravenção no estado. Coisas que o órgão corregedor competente, dada a petição de miséria em que vive a instituição, já não consegue por si mesmo remediar. Tudo isso não seria razão suficiente para uma intervenção espontânea e saneadora de parte do governo de São Paulo? Por que, então, reduzir problemas dessa magnitude a disputas eleitorais de palanque?

Se a participação de entidades sindicais no movimento grevista e nas manifestações de rua tem suas motivações partidárias oblíquas, como afirmou Serra, não será também sua postura intransigente e inacessível uma reação política rasteira? O governador Serra deu mostras de total inépcia política ao reduzir os pleitos legítimos de uma categoria à condição de meras orquestrações sindicais, imbuídas em desestabilizar a campanha eleitoral de seu candidato.

Partindo-se da premissa de que as reivindicações dos policiais são justas, como bem reconheceu Kassab, não seria mais sensato da parte do governador acolhê-las de antemão, chamado a si as responsabilidades pelo pleito? Pois bem. O governador apostou todas as suas fichas na arrogância e na falta de diálogo. E perdeu.

* Artigo assinado por Luciano Porciuncula Garrido – Psicólogo, Policial Civil do Distrito Federal e pós-graduando em Segurança Pública e Direitos Humanos pela SENAP/Unieuro.

Uma ideia sobre “Arrogância e Inépcia política em São Paulo

  1. amigos policiais civis do rio de janeiro
    sou agente policial da pcsp,12 anos de carreira,283 flagrantes lavrados como condutor ou testemunha,fora aqueles que participei mas não “fui pro papel”, e lendo estes artigos não posso deixar de agradecer a força que voces e demais policiais do brasil estão nos dando neste momento.Momento de total intransigência do governo de sp. representado pela figura arrogante e prepotente do sr. Jose Chirico Serra.Mas vamos vencer, se provamos que podemos e sabemos fazer greve,podemos também dar a ele o exemplo de perseverança que ele jamais sonhou em ver um dia.Amigos essa luta não é só nossa, é de todas as policias, porque é sabido o plano que o psdb pretende implantar nesse país,em termos de politica de segurança.Primeiro privilegia as pms,tira-nos força,aproxima-se das forças armadas, e depois em um golpe fatal, aniquila a constituição em emenda constitucional,transformando a policia civil em mero ajudante do ministerio publico.cuidemo-nos e abracemo-nos antes que seja tarde.abraço a todos, e muito obrigado pelo apoio na nossa luta.

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