O Passado, o Presente. E o Futuro?

Pessoal, com muito orgulho posto agora mais um texto enviado por um colaborador. Eu tenho tentado fazer este tipo de contato, que considero extremamente salutar, e nos dá a oportunidade de vermos os fatos sob uma perspectiva diferente.

O Artigo de hoje foi escrito por um grande irmão, que considero e admiro e em quem muitas vezes me espelho. Ele não deu um título à peça, então foi por minha conta. Segue o texto do policial federal Fábio Domingos, grande batalhador por melhorias para a sociedade e para a categoria policial em geral:

O Passado, o Presente. E o Futuro?

* por Fábio Domingos da Costa

Daqui a pouco mais de dois anos completo tempo suficiente para me aposentar. Tenho deixado claro a todas as pessoas próximas que assim que for possível entrarei com o pedido, deixando para trás uma vida de dedicação ao serviço público, com a plena consciência de que sempre fui um profissional preocupado em melhorar o atendimento ao público, seja no exercício da atividade fim (ainda que em desvio de função) ou buscando soluções que destravem as engrenagens administrativas no desempenho da atividade sindical. Como servidor ou dirigente sindical, busco com a equipe um melhor entrosamento e sugestões às chefias, e ainda com reivindicações diretas às diversas instâncias do poder, participações em congressos, entrevistas, palestras, debates, etc., na luta pela valorização do servidor e a das instituições.

Contudo, sinto-me um tanto quanto frustrado, pois o emaranhado da estrutura burocrática é espesso, o desrespeito ao servidor é flagrante, o desprestígio constante, e apesar do esforço de tantos para que haja mudanças na organização policial federal, para dar celeridade no atendimento e oportunidade aos que dela fazem parte, privilegiando o bom e capacitado policial, nada aconteceu. A experiência e o currículo, ainda que expressivo, nada representa; os gestores são levados ao exercício do seu cargo por amizade, afinidade ou outros critérios pessoais e implementam em uma linha descendente a mesma política.

Angústia dos Heróis

Essa obsoleta e arcaica estrutura permite que surjam gestores que pouco ou nada entendem de administração e estímulo de produção. São chefes, mas nunca lideres. Por conseguinte e ainda no liame do permissivo, servidores outros que se aproveitam do que lhes é oferecido e buscam lotações para trabalho em que pouco ou nada irão executar da atividade policial, em uma dita carreira, que se vai do início ao topo quando transcorrido apenas um terço do seu tempo. Não possuímos um plano de carreira e se aprofundarmos a discussão, sequer uma carreira, fazendo com que nossa clientela não supra sua necessidade.

O que a população espera afinal de nossa polícia? Além das investigações e prisões, existem várias outras funções dentro deste aparelho, mas essas são meio e deveriam ser executadas por pessoal especializado, jamais por contratados estranhos à polícia ou por policiais; as operações, que sabemos ser muito mais para a mídia do que para a justiça, deveriam atender ao que se propaga, ou seja, o eficaz combate ao crime, visando ao resultado final, seja uma justa condenação, embasada em provas. Devemos parar de inventar bandidos, parar de criar falsos heróis e sermos profissionais, quem deve brilhar é o escudo, não o indivíduo.

Em 30 anos de serviço gostaria de ver, ainda na ativa, o policial se tornar um profissional com sua carreira respeitada e reconhecida, um chefe recém alçado ao cargo, chefiar sim uma equipe, mas após 15 anos de atividade policial, com uma carteira de agente especial desgastada e honrada.

Mas apesar dos pesares, nutro uma ponta de esperança, para alimentar a vontade de ainda bem cumprir meu dever até o fim destes mais dois anos e poucos meses, que com certeza, mesmo após estes passarem, continuarei a defender a instituição e apoiá-la.

* por Fábio Domingos da Costa
Agente da Polícia Federal, Diretor de Comunicação da ONG VIVA POLÍCIA.

2 ideias sobre “O Passado, o Presente. E o Futuro?

  1. É verdade. A politicagem e o “QI” sempre estão presentes em qualquer escalão do serviço público. Infelizmente com a alienação da opinião pública e com a permissividade e o incentivo daqueles que deveriam bloquear esse tipo de coisa (os políticos através de leis e normas rígidas); fica praticamente impossível acabar com essa lamentável prática.

  2. Lendo seu relato, no quente da situação, fico, como neste momento, está. Não só nesta profissão como em outras isto acontece. Mas à medida que as coisas acontecem a tendência é melhorar. Que não hajam dúvidas sobre isto. Nada de desanimar. Pelo bom trabalho, pela crítica que constroi o exemplo é dado, e outros o mesmo farão tenho a certeza disto. jimym

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *