Eis o Futuro do País

Não, não vou repetir neste post o mesmo assunto do outro, onde destacamos com curiosidade a notícia de que estudantes do Instituto de Ciências Humanas e Filosofia (ICHF) da UFF protestavam contra a criação de um novo nicho de graduação, em Segurança Pública, simplesmente porque tal curso atrairia para o campus alunos… policiais!

Acho que ficou bem claro a problemática do caso, basta ler os comentários do post mencionado. Se eu tivesse um filho que estudasse naquele campus, ficaria muito preocupado. Aliás, iria até até a Diretoria da faculdade para procurar entender melhor que tipo de ambiente a faculdade federal mantém ali.

Parece-me que os alunos que têm medo de Polícia ainda não desistiram, e continuam batalhando ferozmente para impedir a criação do curso, penso que em vão.

Mas aí a moça que faz a limpeza da delegacia onde trabalho estava lendo um jornal popular (cujo nome nem li), que tinha umas fotos de mulheres bem desinibidas na capa, e peguei para ver. Ao folhear, veja só que notícia eu encontrei:

‘Agentes da Delegacia de Combate às Drogas prenderam ontem Alexandre Pinto da Silva, 34 anos, que vendia maconha no prédio do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da UFRJ.
(…)
Ao ser abordado, o traficante tinha em seu poder oito tabletes de cerca de 50 gramas maconha, caderno com número de telefones de compradores da droga e R$ 424,00 em dinheiro. A droga era chamada pelo traficante de “apostila”, e saía a R$ 60,00.’

Notícia traficante universitario da UFRJ

Traficante da Faculdade

Caramba! Que coisa hein! Quem será que estava no caderninho de telefones do coitado preso? Será que os pais de alunos que estudam na UFRJ vão tomar a iniciativa de procurar a delegacia para saber se o telefone de seu filho estava por acaso na relação de patrocinadores? Quantas “apostilas” eram vendidas por dia naquele campus?

Outra coisa, não sei se todos perceberam, mas há alguns anos a área de seguraça pública vem sendo dirigida/influenciada majoritariamente por pessoas formadas justamente nas especialidades acadêmicas ministradas nos mencionados campi, ao passo que a violência só cresce, aumenta a corrupção policial, e a população está cada vez mais selvagem. Acaso?

Pois é, quem sabe no próximo governo, se conseguirmos eleger alguém sério e comprometido com a segurança pública e as polícias, estes fatos sejam mais corriqueiros. E aí, coitado daqueles alunos que ficam 10 anos para se formar e os pais não entendem porquê…

ps: para aqueles que estavam esperando encontrar as fotos das garotas desinibidas também, desculpem, mas essas eu não copiei, fica pra próxima 😉

17 ideias sobre “Eis o Futuro do País

  1. eis um assunto que tem feito parte da realidade de muitos estados da federação…
    essa antipatia das faculdades federais, por parte de seus alunos, com a presença de policiais mesmo q estudantes destas instituições…
    ocorreu caso parecido na federal aqui da bahia onde uma coordenadora de curso em seu discurso acalourado chamou os policiais (militares) de animais por assim serem formados em sua instituição…
    o perigo é saber justamente que tipo de profissionais irão sair destas instituições, uma vez que como dito no artigo a area de sugurança publica vem sendo dirigida e influenciada ppor estes cultos homens e mulheres compradores/financiadores de apostilas que quando a violência lhe bate a porta sao os primeiros a chamar a policia e exigir soluçoes.

  2. Eduardo,

    Infelizmente é comum o cheiro de “ervas” nos corredores do IFCS. Isso lá é banal.

    Os caras se tracam nas salas e fumam ante a resignação de uns e a omissão criminosa de outros.

    Como se tratam de playzinhos de classe média, cabeludos, estudantes de filosofia e ciências sociais não são bandidos. E quem se opõe ao comportamento é tachado de reacionário.

    Flagrante lá é mole.

  3. Não apenas no IFCS, se a DCOD for na ilha do Fundão, especialmente no prédio da REITORIA, verá que a farra da maconha acontece TODOS OS DIAS e a QUALQUER HORA. É só chegar num ponto conhecido como o BOSQUE.

    é revoltante ver a quantidade de maconheiros reunidos, junto a eles alguns fornecedores da droga, claro.

    Enquanto o resto dos alunos não-usuarios, ficam a olhar impotentes esses parasitas aproveitando a “Vida Loka”.

    revoltante…

  4. Parece a história do “Tropa de Elite”!
    A vida imita a arte ou a arte é que imita a vida??

    E a sociedade segue hipócrita…

  5. Existe um anexo no IFCS que é chamado de “5o andar”, onde se consome drogas abertamente. O acesso se dá apenas pelas escadas do fundo do prédio, mas fica na cara de todos que passam por ali. Não bastasse isso, às vezes se unem lá grupos grandes, de mais de 5 pessoas consumindo drogas. O cheiro, como foi dito, invade as salas de aula.

    Isso é lamentável numa instituição pública, ainda mais numa Universidade. Seja como for, o consumo de drogas ainda é imoral e sua venda ilegal. É inadimissível que a direção do instituto faça vista grossa.

    O IFCS tem algumas das melhores mentes desse país, não duvidem. É uma generalização estúpida desdenhar dos alunos de lá, “eis o futuro do nosso país”. Acontece que o IFCS também tem uma concentração imensa de vagabundos de contra-cultura em geral (unindo ideais hippies, marxistas e toxicômanos, tão díspares na origem). Isso não diz respeito apenas ao consumo de drogas. Há quem passe o dia bebendo em botecos do Centro, e uma maioria que fuma (cigarro comum) nos corredores, salas de aula, não se importando com hora ou lugar. Ah, e jogando as bitucas pelo chão, calhas e telhado.

    Ainda assim, lá há exemplos de pessoas que desqualificam qualquer crítica a essa maioria nefasta.

  6. Pois é pessoal, é um assunto controverso e triste. Controverso porque hoje abertamente se defende não só a liberação de drogas, mas estimula-se o uso, em músicas, revistas e outras mídias. Cada vez mais procuram destacar as drogas como um “mal necessário”, sei lá, como se a criatividade e evolução filosófica do homem dependesse de psicotrópicos.

    Mas a tônica do artigo não é o malefício ou situação legal do usuário de drogas, então voltemos ao tema.

    Jota, a generalização foi proposital. Temos todos que ficar incomodados com estas condutas, não podemos nos manter inertes. Como podem os próprios professores fazerem vista grossa, sentindo o cheiro do cigarro de entorpecente dentro das salas de aula, como você descreve? Ei aí o grande erro no sistema educacional. O professor, além de ser o instrutor acadêmico, tem o dever de formar cidadãos de moral, de “ser chato”. Não dá mais para empurrar toda a responsabilidade de todas as crises para a ineficiência e corrupção policial, ou o descaso proposital dos políticos que elegemos ano após ano. Todos têm que assumir sua parcela de culpa pela omissão, e provocar. Somos todos filósofos resmungões inertes.

    Quanto ao texto, me sinto bem tranquilo para falar sobre o assunto. O Antonio por exemplo lembrou do prédio da Reitoria no Fundão. Bem, eu estudei lá, naquele prédio, então se o caso é generalizar, essa generalização me inclui. O que aconteceu foi que eu larguei a UFRJ antes de me formar, percebi que meu papel como agente de mudanças ali seria muito limitado, e, talvez por vontade infantil resultante de overdoses de filmes enlatados americanos, tive a insana idéia de entrar para a Polícia. Aqui eu achava que poderia fazer diferença, e até penso que já fiz e faço, mas é muito pouco, por todos os problemas e ingerência política nas polícias estaduais, que todos conhecem. Por isso desanimei, e quero mais, preciso me realocar, mas isso o tempo se encarrega.

    Irônico foi que, na minha adolescência, eu pensei (acho até que me inscrevi no vestibular) em fazer Ciências Sociais, justamente para atuar desta forma, intervindo, sugerindo, propondo e cobrando mudanças. Mas as mudanças que vejo pessoas que seguiram esta carreira que descartei não lembro porquê, essas mudanças já se mostraram péssimas. E a tendência é piorar, se o viciado de hoje estiver no poder amanhã, justamente pelos conceitos e preconceitos que se adquire quando se leva uma vida de transgressão, porque, apesar de tudo, estão à margem da lei e sujeitos à repressão; eu conheço e até já participei muito do “papo do oprimido”, de que “não poder isso ou aquilo é absurdo, então eu faço mesmo assim”, etc.

    E é mais ou menos como ocorre hoje, quando estão no poder e domínio político e da opinião pública, aqueles que outrora eram transgressores. Ainda vestem nos órgãos policiais a máscara do período de regime militar, época triste, de uso descabido da Polícia Civil e Federal por exemplo, que era comandada por militares.

    Só que os poucos policiais que restam daquele tempo, que ainda não morreram, estão já se aposentando, e nem mais trabalham na corporação. Eu, no regime militar, nem ao menos tinha nascido, e hoje sofro as consequências do preconceito motivados por fatos ocorridos naqueles tempos.

    Enfim, temos muito que debater isso aqui, já escrevi um texto desproporcional para ser um comentário, então vamos dividir a vez 😉

    Passo a palavra, satisfeito por prever um novo grande debate aqui, com novos debatedores que vão agregar opiniões e teorias, que a princípio já vejo serem diferentes. Muito bom 🙂

    obs: vou repassar as informações que vocês deram para a DCOD, porém por serem prédios federais a ação é mais burocrática, quem deveria prender é a PF. Enfim, tentemos.

  7. Eduardo, um adendo (já que você vai repassar as informações, eu estava pensando mesmo essa semana em fazer alguma denúncia): o “quinto andar” fica no segundo andar do prédio, subindo pelas escadas do fundo. Ele é separado por uma parede do resto do prédio, e serve como depósito (e “fumódromo”).

    Quanto às suas questões, eu insisto que não se pode subestimar os intelectuais por conta de problemas decorrentes de generalização. Na China comunista, dezenas de estudantes universitários foram achincalhados por Mao, que os considerava “mal cheirosos”, “vagabundos”.

    A teoria das Ciências Sociais apresenta base infindável para compreender como e porque a sociedade funciona desse ou daquele modo. Não trata apenas de uma proposição revolucionária esquerdista.

    Sugiro, sim, que você freqüente a Universidade, até mesmo para marcar o espaço da instituição que defende (como foi relacionado no caso da UFF). Lá ainda é um espaço de mentes pensantes, trocas estimulantes de idéias e pluralidade. Em Filosofia no IFCS, por exemplo, há os “maconheiros”, mas há também muita gente da terceira idade que voltou a estudar, advogados, policiais civis, pensadores de todas as espécies. Vale a pena.

  8. Jota: opa! Beleza, vou repassar as informações ao pessoal da especializada, mas como a princípio trata-se de informação apenas acerca de uso de drogas, e considerando tratar-se de área de atribuição da Polícia Federal, imagino que não vão se animar. Porque, inclusive, nós policiais que estamos estudando e procuramos nos atualizar esbarramos com um dilema jurídico: conduzir, contra a vontade, o usuário de drogas, pode configurar, na visão de alguns, como Abuso de Autoridade (a pena é alta, sujeito à demissão do cargo). Ainda há controvérsias nos tribunais, mas a questão já foi levantada inclusive por um advogado de um “rapaz de posses” em São Paulo, e os policiais civis que o levaram estão respondendo processo. Eu, particularmente, não vou me arriscar para prender esses lixos.

    Já se tiver boas informações de tráfico, haverá investigação, certamente. Para você ver como a coisa anda, já foi o tempo em que policial prendia, hoje tem que pensar muito antes de se atrever a prender alguém e levar para a delegacia.

    Quanto ao nosso debate, em si, ratifico: eu, no dia a dia, nas questões pessoais ou profissionais, não generalizo. Já coloquei que frequentei e estudei neste tipo de lugar, e resolvi me afastar, por motivos pessoais.

    A generalização passada no post foi para comentar justamente isso, manifestações como a sua, ampliar o debate para além do que normalmente escreveríamos aqui. Aposto que, não fosse esta provocação, talvez você nem se daria ao trabalho de comentar o artigo, e nem estivéssemos trocando essa idéia! E fico grato por sua participação. Reconheço que forcei a barra, em certo aspecto. Mas estes “artigos” ou posts que publico aqui, eu faço e reviso os textos com carinho e dedicação, procuro informações de fontes diferentes para embasar, e além disso tem a parte da própria postagem, imagem, links, etc, que me consomem algum tempo, muitas vezes mais de 1 hora, em alguns artigos (não esse) levei horas ajustando tudo (afinal, sou leigo em computador e tudo tenho que aprender na hora que imagino fazer). Por isso, insisto, foi uma provocação pensada e proposital, e deu certo! 😉

    Quanto à frequentar tais lugares, o farei assim que possível. Na verdade meus planos eram de me formar em Direito, e cursar outras matérias que me ajudassem a trabalhar e compreender melhor minha profissão. Só que infelizmente, por questões financeiras e mesmo ideológicas, tenho que dedicar meu tempo de estudo não para me aprimorar, mas para passar em outro concurso, e depois retomar este tipo de plano. Já tomei o gostinho de trabalhar em órgãos do governo, de poder meter o dedo na ferida dos criminosos, não dá para largar isso e voltar para a iniciativa privada. Hoje, como dizemos, eu sou prego. E preciso ser martelo, se quiser mudar alguma coisa. E esta é minha meta. Depois volto para as faculdades 😉

    Retorne aí, continuemos papeando todos!

    Joe: essas mesmo, obrigado cara! Muito bom né.

  9. A grande verdade é que nossa sociedade está doente. As drogas hoje são tidas como normais. O maconheiro é intocável e essa foi a forma como muitos ricaços encontraram para deixar de serem “perturbados” pela polícia quando seus filhos iam em cana.

    Proibir o tráfico e liberar o consumo é um erro gravíssimo. O usuário deve ser punido sim como um criminoso. Pois , de fato ele o é. Já que financia a compra de armas e os assassinatos recorrentes.

    A primeira prisão até poderia ser encarada como uma oportunidade para um tratamento. Mas as subseqüentes deveriam ser severamente punidas.

  10. Infelizmente, muitos amigos do colegial se envolveram com as drogas, alguns até com uma condição financeira estável.
    Encontrei um a pouco tempo atrás, perguntei como estava e tudo mais; detalhe que ele estava visivelmente acabado. Não sei como as pessoas conseguem se render a isso…

    O certo é isso acabar! Nada de liberação!

    Abraços!

  11. Concordo com o Jota, não podemos generalizar há mentes incríveis alí no IFCS, e ainda, as ciências sociais dão as ferramentas indispensáveis para a compreensão do mundo.

    Por outro lado, os professores serão culpados?

    Os caras lá convivem com inúmeros problemas da disputa acadêmica e vão se meter num fosso em que todo mundo, até a direção e os alunos evitam comentar?

    Uma coisa é um policial fazer uma denúncia e investigar, o cara tá armado e ao menos em tese tem ajuda dos companheiros da corporação. E aqueles que estão desarmados em todos os sentidos para estarem alí estudando ou trabalhando?

    Dizem que havia um cara lá que pensava em notificar judicialmente o diretor do instituto para indagá-lo se tinha conhecimento dos fatos ocorridos alí no anexo ou nas salas. Mas desistiu porque achou que depois disso o ambiente ficaria insuportável para estudo, ademais, seria tachado de careta.

    Seria bom que esses diálogos chegassem ao diretor do IFCS para ele ter apoio e tomar providências.

  12. Arthurius Maximus: “A primeira prisão até poderia ser encarada como uma oportunidade para um tratamento. Mas as subseqüentes deveriam ser severamente punidas.” Concordo. E a punição deveria ser pecuniária, no valor de 10% do patrimônio do infrator, caso seja maior, ou dos responsáveis legais, caso seja menor. E se houvesse recurso, que este montante ficasse bloqueado até o fim do processo. Com o dinheiro revertido para tratamento de outros dependentes, que seriam os detidos pela primeira vez, imagine as somas; afinal, 10% do patrimônio de muito viciado aqui no Rio gira em torno de 2 ou mais milhões…

    André Romero: a pessoa fica destruída. A maconha, que dizem que é “levinha e não faz mal” deixa o cara tão lesado que tudo que ele consegue fazer é filosofar, nada de prática, nada de iniciativa (salvo a iniciativa de protestar para poder usar a droga).

    Soares: que bom te ver comentando, tava sumido!
    “Os caras lá convivem com inúmeros problemas da disputa acadêmica e vão se meter num fosso em que todo mundo, até a direção e os alunos evitam comentar?”

    Bem amigo, acho que chegamos neste estágio deplorável porque seguimos vivendo preocupados com nossos problemas, sem ver que os problemas alheios vão influenciar em médio prazo nossa própria vida.

    Acho que já passou E MUITO da hora dos cidadãos deixarem de ser pacíficos e tolerantes com condutas ilegais, e cobrar que o Estado resolva tudo. Eu também sou do tipo que “evita arrumar problema”, mas me policio para não deixar de intervir em coisas que, a princípio, não me influenciariam diretamente.

    Temos que traçar melhor o marco divisório entre o pacifismo e a submissão. Porque hoje, o cidadão de bem, o cidadão pacífico, está submisso aos governos corruptos e à violência armada, vivemos trancados, atrás de grades que nós mesmos mandamos instalar em nossas casas.

    Quanto mais tempo a iniciativa de mudança for protelada, mais difícil será conter o avanço daqueles que agem para amealhar o poder e a fortuna às custas da falência e assassinato dos homens.

    Obs: este debate está ficando sensacional, com opiniões cruzadas, opostas, mas embasadas! Gostei.

  13. Quando vi inicialmente o post não pensei em postar, tenho uma opinião muito específica sobre o assunto calcada em parte por minha atividade quando fui policial, mas como o debate ficou muito interessante me animei a postar minha singela contribuição.
    As universidades e o meio academico em geral, são espaços abertos, democráticos, liberais e contestadores.
    A produção ciêntifica precisa deste ambiente, não se inova em um ambiente controlado.
    Nas história contemporanea, todas as mudanças relevantes de comportamento da humanidade tem como celeiro as universidades.
    Em uma instituição universitária, por opção filosófica, ideológica ou mesmo prática, a repressão a pequenos delitos, principalmente aqueles que não afetam a coletividade de maneira direta e imediata (como o uso de maconha) é impensável.
    Durante o processo de redemocratização do País, as universidades tiveram um papel importante e polarizaram duramente com as instituições “repressoras” do regime.
    Isso infelizmente criou uma cultura “anti-policial” nos meios universitários, e sua corente inversa, a dos “anti-estudantes” nas polícias.
    Ai entra minha experiência.
    Logo que sai da academia de polícia, por minhas características (não tenho cara de polícia) fui colocado em uma investigação sobre o comércio de drogas nas faculdades paulistanas.
    A falta de cooperação de algumas reitorias era absurda, a ponto de se negarem a fazer uma matrícula “falsa” para os agentes.
    A teoria de que naquela universidade “polícia não entrava” era tão enraizada que o campus acabou se tornando um territórrio livre para traficantes e consumidores atuarem, a maioria deles, por sinal, sequer fazia parte da comunidade acadêmica.
    Esta deturpação total e completa dos conceitos de universidade livre e aberta, era de conhecimento da reitoria que vazia vistas grossas.
    Diante deste quadro e da falta de cooperação da reitoria, acabamos por nos socorrer do judiciário, para podermos utilizamos identidades falsas para nos inscrevermos nas instituições, uma vez que entendemos que Reitoria não era capaz de garantir o sigilo da informação e colocando em risco a segurança dos agentes “infiltrados” e eu era um deles.
    Resumindo, começamos a investigação, prestando vestibular para a Faculdade.
    Os seis meses seguintes foram tortuosos, com 18 anos, começando na polícia, fazendo duas faculdades (uma de direito real e outra de ciências sociais “investigando”) me via diariamente entre “Duas correntes” que pareciam se odiar e se amar ao mesmo tempo.
    É impressionante como a atividade policial e o curso de ciências socias se complementam, mas ao invés de se integrarem eles preferiam repetir velhos chavões e se agredirem.
    Queria tanto chegar na delegacia e falar sobre o que tinha aprendido no curso, mas não podia tinha que falar que era uma bando de maconheiros vagabundos, por outro lado tinha que ouvir nas aulas aquele infame discurso anti-polícia.
    Enfim, a investigação evoluiu, acabei dando voz de prisão para vários e meus “amigos”, prendemos 23 pessoas (todas traficantes), 3 traficantes nacionais e um dos fornecedores que trazia a droga da Bolivia.
    Durante a investigação, vi dois alunos exibindo suas armas no banheiro, como não podiamos atuar dentro da faculdade e eu não podia revelar minha identidade, outra equipe acabou abordando eles em um veiculo fora da faculdade, e autuando os mesmos por porte ilegal de arma.
    Prendemos tambem um aluno ladrão de carros importados. Ele usada terno e gravata, fazia direito e roubava carros importados.
    Tudo isso só na esfera das das ocorrências ligadas ao meu universo como aluno-investigador.
    Respondi sindicância na faculdade e acabei expulso. (desnecessário bastava anular minha matricula como aliais foi solicitado pelo juiz do inquérito)
    A faculdade continua um território livre.
    Algum tempo depois um policial militar que defendia uma tese de doutorado de Direitos Humanos dos policiais, foi vaiado pelos estudantes e a aepresentaçao da tese teve de ser transferida e não foi aberta ao público, unicamente porque ele era policial.
    As polícias por sua vez continuam seu discurso contra os vagabundos das ciências sociais.
    Para ser contestador, não é necessário cometer e acobertar crimes. E para ser policial não é necessário ser truculento e reacionário.
    Com este preconceito, perde a universidade, perdem os estudantes e a sociedade, a discussão vai muito além de coibir consumo de drogas nas universidades, isso é um pensamento pontual e individualista.
    Da minha experiência pessoal, a única coisa que mudou foi o meu pensamento.
    De resto, apenas substituimos alguns autores.

    Enfim, falei, falei e não disse nada.

    Abç…

  14. Concordo Soares. A exposição do Benito, pra variar, foi bem colocada.

    De fato, o que provoca maior repulsa aos tais “manifestos anti-policiais” é justamente a parte preconceituosa da situação. Não vou admitir que eu seja enquadrado em nenhum conceito pré-definido tão somente por minha escolha profissional. Afinal, eu aderi à esta profissão porque acredito que aqui poderei fazer muito mais o bem do que o mal, para a sociedade.

    Nosso empecilho é que não podemos interpretar as leis, fazer juízo de valor. Senão eu poderia dizer aqui em público que eu ‘cago e ando’ quando passo por um carro com playboys e sinto cheiro de maconha; mas não posso dizer isso, configura crime.

    Meu discurso público então limita-se a: quer fumar, cheirar, dar o lombo, problema, desde que não me chame ou não o faça na minha frente. Mas que não venham me classificar, com argumentos baseados em ideologias construídas em um cenário político totalmente diferente do que é hoje, baseado em atitudes de policiais que se já não morreram ou se aposentaram, estão prestes a.

    E provavelmente se eu me inscrever em algum curso deste gênero, por interesse pessoal, dificilmente alguém vai ficar sabendo que sou policial.

    No mais, parodio o Benito: “Para ser contestador, não é necessário cometer e acobertar crimes. E para ser policial não é necessário ser truculento e reacionário.
    Com este preconceito, perde a universidade, perdem os estudantes e a sociedade, a discussão vai muito além de coibir consumo de drogas nas universidades, isso é um pensamento pontual e individualista.”

    Bons comentários aqui hein! Arrebentaram.

  15. Eduardo, aproveita pra completar sua lista de “maconhódromos” do Fundão:
    – quadras ao redor do predio da Educacao Fisica, a qualquer hora do dia
    – arredores dos bares do “mangue”, principalmente as sextas a tarde

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