Os Policiais Não São Mais os Mesmos

Não é legal repetir em um blog um texto inteiro que outro já postou. Mas dessa vez me senti tentado a fazê-lo. Trata-se de uma carta redigida pela esposa de um policial civil de SP, que bem traduz a transformação das polícias nesta coisa disforme que vemos hoje. A postagem foi no ótimo Flit Paralisante.

O mesmo texto se adequa perfeitamente aos policiais civis do Rio e de muitos outros estados, e também à diversas polícias militares. Vejam só o início, matador:

” Quando conheci meu marido, há alguns anos atrás ele já era policial civil e nunca compreendi o que esta carreira tinha de tão especial para fazer seus olhos brilharem quando falava de sua profissão. Nunca me falou de nenhum caso específico, mas sim da importância da polícia civil para a sociedade.
Era uma mistura de paixão e profissionalismo, pois mesmo sem recursos e apoio do governo, ele e sua equipe esclareciam casos e prendiam criminosos.

Era contagiante sua dedicação e honestidade, apesar das dificuldades e perigos que eram submetidos.
Com o passar do tempo, convivendo com meu companheiro, notei que aquele brilho em seus olhos foi desaparecendo, ele foi deixando de falar de sua profissão e em algumas vezes notei que sentia “vergonha” de informar que era um policial civil.

Sua saúde foi piorando, desenvolveu síndrome do pânico, insônia, pressão alta e úlcera pois a pressão de suas responsabilidades foi geometricamente aumentando, mas seu reconhecimento profissional não.
Para honrar com nossos compromissos financeiros mínimos, meu marido teve de arrumar outro emprego, o famoso “bico”, o qual toma o tempo dele que seria destinado ao seu merecido descanso.

Deixamos de lado vários projetos, vários sonhos e nada me trouxe maior dor do que vê-lo chorar por medo de não poder pagar nossas contas, por medo de não poder garantir o bom futuro da família.
Ele sempre foi uma pessoa muito honesta, como todos os colegas de seu trabalho que conheço, e percebi que todos estão sofrendo da mesma forma, todos se tornaram o mesmo tipo de pessoa. Estão sendo exigidos pelos governantes como se fossem super-homens…e acho que são!!!!
Pois somente super-homens suportariam encarar a situação de insegurança social que sofremos hoje, somente super-homens trabalhariam 10, 12, 16, 20 horas ou mais num dia e estariam de volta ao serviço na manhã seguinte. ”

Leia a carta até o final lá no Flit Paralisante, que além de nos trazer essas pérolas, vem narrando o fantástico movimento grevista dos policiais civis de SP em tempo real! Por oportuno, parabéns ao delegado Roberto Conde Guerra pela determinação e inovação, mostrando o poder de comunicação dos blogs policiais.

Uma ideia sobre “Os Policiais Não São Mais os Mesmos

  1. Pergunto: a quem interessa um policial mal pago?
    Com a resposta a sociedade, que adora novela, futebol, mas esquece de sua família, de seus filhos, dos valores sociais.
    Vale a máxia: cada um dá de si aquilo que tem, cada povo tem o governo que merece.
    Paulo.

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