A Iminência da Greve em SP

O Estado de São Paulo está um barril de pólvora. Os policiais civis colocaram o bloco na rua, uniram-se todos, e encaram uma verdadeira batalha em busca de reconhecimento e dignidade, tendo como adversário… o Governo!

Por incrível que pareça, talvez os cidadãos paulistanos não atentem para a situação, mas os políticos que eles mesmos elegeram para administrar a cidade mais rica do Brasil estão usando de todos os artifícios imagináveis para manter a Segurança Pública em um nível abaixo do péssimo.

O Tribunal Regional do Trabalho serviu, nas últimas semanas, serviu como mediador nas reuniões entre os servidores e representantes do governo, mas o que se revelou foi que isso foi apenas uma forma de ganhar tempo. O TRT determinou que, em caso de greve, os policiais civis têm que manter 80% do efetivo trabalhando, o que destoa bastante das últimas decisões do STF sobre o tema.

Indiferente à isso, agora os agentes da lei de SP organizam o que eu considero a maneira mais eficaz de mostrar a importância da corporação policial e de seus agentes: Operação Padrão.

É muito simples. Com o efetivo atual, com as atividade que entulham o serviço da Polícia, não existe como prestar um serviço nem ao menos razoável. E para enganar a população, o governo mascara números de estatística, e força os agentes a atuar apenas em crimes explorados pela imprensa, deixando a maioria dos crimes impunes.

Aquela velha estória, que muito vemos aqui pelo Rio e em diversos estados da Federação. Compramos um bilhão de viaturas, alugamos trocentos computadores, construímos novas instalações… mas o mais importante, a mão-de-obra, a água de move o moinho, nada. O salário de um delegado em SP é digno de fazer rir, imagine-se então o dos agentes. E neste tipo de ambiente, só ficam aqueles que têm outros interesses que não o de fazer cumprir as leis. Prolifera a corrupção e os “esqueminhas”.

No site da Associação dos Delegados de Polícia de São Paulo foi publicada uma cartilha para orientar os adeptos à justa luta, a forma como devem proceder durante a Operação Padrão, que será realizada mantendo-se ainda o estado de greve.

Alguns pontos mais interessantes:

– Todos os equipamentos, como computadores e máquinas de escrever, que sejam particulares, que o policial tenha levado para a DP para suprir a deficiência do governo, devem ser retirados;

– Todos os funcionários adidos, como servidores do município e demais estranhos aos quadros da Polícia Civil devem ser dispensados, ficando nos distritos policiais, apenas quem é policial civil;

– Integral cumprimento do art. 6º do CPP pelas Autoridades Policiais;

– Viaturas impróprias para uso deverão ser baixadas;

– Nenhum policial deverá pagar do próprio bolso material para trabalho, como papel e selos postais;

– Em caso de diligências em municípios distintos ao que o policial trabalha, não proceder até receber o pagamento de diárias e verba para cobrir as despesas inerentes ao serviço;

– Não registrar boletins de natureza não-criminal, os famosos registros de Fato Atípico.

Enfim, dou todo o apoio à luta, toda torcida para que a Operação Padrão seja levada adiante e que sirva de inspiração, um dia, para os policiais do Rio.

As fotografias deste post foram obtidas no blog Flit Paralisante, no qual o delegado de polícia Roberto Conde Guerra vem narrando cada passo da luta.

4 ideias sobre “A Iminência da Greve em SP

  1. Caro Eduardo, cada vez que você relata a situação dos distritos policiais cariocas eu vejo que a situação é a mesma aqui em São Paulo. Fazemos o trabalho de dois ou mais colegas. São O.S.s que não acabam mais, viaturas cuja manutenção é na base do “caneco”, até o computador e o material de escritório o escrivão traz de casa pra trabalhar com um pouco de dignidade.
    E na correição semestral, ai se atrasar um relatório em um ou dois dias. O sistema é assim: debilita o serviço público para que ele seja cada vez mais dependente de favores que mais tarde serão cobrados, com os devidos juros.
    O governo não está nem aí pra gente. É só na base da greve. Na paralisação do dia 13/08 um oficial de justiça compareceu no distrito que trabalho e ao saber que estávamos em greve disse: “eu concordo e apóio vocês, boa sorte nesta luta.” É bom lembrar que na última greve o Judiciário ficou parado mais de dois meses até chegar num acordo. Também ganhamos apoio do pessoal dos Correios, que recentemente tiveram suas reivindicações atendidas após dias de paralização. Além do apoio da PM, pois aqui, como somos equiparados, o que vier pra nós, vai pra eles. O mais importante, além de trabalhar com salário e condições dignas, é alertar a população que o governo não prioriza a segurança, pelo contrário, trabalha na base do quanto pior, melhor, uma vez que o Serra herdou o aparato policial do Alckimin, o qual ele estranhamente não apóia para as eleições municipais de São Paulo.
    E nós, que não temos nada a ver com o PEIXE, sempre pagamos o PATO. Abraço.

  2. Não sei o que está ocorrendo aqui no RIO. O que falta para a greve da PCERJ? Não aproveitamos o PAN! Vamos esperar até a COPA de 2014? Ou até as Olimpíadas de 2016?

  3. É “bala” na agulha,meu irmão se não podemos fazer greve nada nos impede de realizar a Operação Padrão, será que o governador é cego ou politicamente atender as reivindicações das Policias Paulista não não da voto!
    Depois quando o caldo engrossa ou o vinho azeda vai todo mundo pra debaixo da mesa enquanto a Polícia Resolve o problema Lembram-se o epsódio dos ataques contra o estado todos correram mas a Policia Paulista Segurou a onda e hoje cadê os Agradecimentos
    Abraços Sub Ten MONTEIRO

  4. Volto a mesma questao de um comentario anterior no mesmo Blog irmaos . Em uma Naçao onde a lei nao e interessante funcionar , o que dizer das policias .

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