A Polícia está Falida? Qual, ou Quais?
A Polícia Civil está falida. Isso é fato, não há o que contestar, basta analisar a produtividade geral. Mas você já parou para pensar em QUAL Polícia Civil está falida?
Sim, porque nossa tendência é visualizar as coisas de perto, algo que eu chamaria de mundo de contato direto. Isso explica o porquê das sociedade simplesmente não conseguir entender que a raiz do problema da violência e corrupção policial passa longe do indivíduo que ocupa o cargo. Por isso, é bom que exercitemos uma visão macro, e quem sabe, conseguiremos captar o processo de formação das mazelas em nosso micro-mundo.
Nisso este blog já me ajudou muito. Comentários e e-mails de policiais ou demais cidadãos conscientes, confirmam que o mal que abate as polícias do Rio é o mesmo que corrói diversas outras do país, não excluindo nem mesmo as mais bem remuneradas, que são as polícias Civil e Militar do Distrito Federal.
Digo isto porque estava lendo uma entrevista com o Secretário de Segurança do Ceará, e, se omitissem os nomes, e narrassem apenas os fatos, poderia pensar que o assunto era no Rio. Ou São Paulo, ou qualquer estado do Brasil.
Na entrevista concedida ao jornal O Povo, de Fortaleza, Roberto Monteiro fala, evidentemente constrangido, sobre a ineficiência e falência da polícia de investigação, e a ineficácia do patrulhamento. Fala de como não conseguem elucidar os crimes, principalmente os homicídios, já que raramente identificam o assassino se o caso não for de grande repercussão. Fala da precariedade da polícia técnica, de como não conseguem combater a corrupção policial e de como estão se formando milícias e grupos de extermínio formados por policiais que têm que se dedicar ao “bico” para garantir uma renda mínima.
É o retrato da Polícia fluminense. Veja só:
Repórter- E a falta de polícia técnica nas delegacias de Polícia Civil? A delegacia do Bom Jardim, por exemplo, tem 97 inquéritos desde 2004 parados sem nada.
Roberto Monteiro - Eu fico constrangido em falar sobre isso. Na realidade, nós não temos efetivo. Um delegado tem o tempo dele todo ocupado resolvendo problemas imediatos. Ou seja, ele precisa ter uma equipe para investigar o homicídio. Se ele não tem efetivo para isso, fica difícil. Às vezes há 20 presos numa delegacia e apenas um inspetor. Cadê aquele homem que fica o dia todo nas ruas, investigando, conversando com as pessoas? Uma investigação é complexa. Às vezes um pequeno detalhe acaba sendo a solução. Enquanto tivermos uma estrutura de Polícia Civil falida como é hoje, não vamos ter uma maneira de investigar de forma eficiente essas execuções. A Polícia Civil está falida.
A questão é complexa para ser respondida em um artigo, e provavelmente rende mais do que uma monografia. Mas eu arriscaria algo como o interesse inicial de alguns setores da sociedade em ter uma polícia ineficiente, de modo que possam agir no mercado, infringindo a lei, sem grande risco de punição. Quem for eventualmente pego, é só comprar o ingresso para sair. Reze para não entrar, pague para sair.

Só que com o tempo, desestabilizando e prostituindo esta parte sensível do controle social, que é a instituição policial, afastando seus servidores para o submundo, através de preconceito e salários cada vez mais baixos, aquele organismo que deveria nos proteger passa a habitar o mesmo nicho que o crime. Policiais moram em favelas, o vizinho do policial é bandido, e ele não pode fazer nada porque senão, onde vai morar?
Então, chega uma hora, e creio que estamos nela, em que a polícia já não atrapalha crimes como sonegação fiscal, desvio de verbas públicas, uso de entorpecentes, e artifícios usados pelo empresariado e a classe média para enriquecer e manter seu status, o que é muito bom para alguns. Mas agora, além de não agir sobre tais crimes, o sistema está tão corrompido, tão sucateado, que não consegue atuar sobre outros crimes, estes sim, cuja repressão seria interessantes ara todos, como roubos e homicídios.
A corrupção que a sociedade impõe, e a falência latente das policias é tamanha que hoje ela simplesmente não funciona mais. O cão de guarda, que protegia a propriedade sem voltar-se contra o dono, agora está velho e desdentado, continua não mordendo o dono, mas em compensação não morde mais ninguém. Os tesouros nos castelos da classe média e alta estão lá, reluzentes como nunca, mas agora desprotegidos, e só o que conseguem balbuciar são frases como “as autoridades têm que tomar uma providência!”.
E a resposta para a pergunta do início: QUAL Polícia está falida? A resposta é TODAS as polícias estaduais, pois foram falidas propositalmente, sem levar em conta os efeitos colaterais desta decisão. Mas ainda há tempo, porque não resta acreditar em outra coisa. Cabe portanto a cada um de nós, enquanto cidadão, fazer uma parte, cobrar daqueles que elegemos, e difundir idéias e propósitos de mudança, de valorização do que é importante de fato, enfim, convencer os amigos menos antenados a pensarem por si, e enxergarem o mundo real, não o mundo plantado pela televisão, sair da matrix.
Mas basicamente dar bons exemplos, principalmente para os mais jovens, impor limites sem depois nós mesmos transgredi-los, e uma palavra que resume tudo: RESPEITO. Porque só o que vemos hoje é o roto falando do esfarrapado, a poça de lama cresce e a cada dia engole maior parcela da população.
A entrevista, muito boa, pode ser lida na íntegra no site do jornal O Povo.
Uma mostra de como coisas simples provocam situações críticas no futuro é este pequeno vídeo divulgado pelo Figueiredo no Grupo PCERJ:
[youtube JNSA-MWD-oQ]
E desculpem essa viajem…

é irmao , um Estado onde a lei nao funciona . O que dizer da policia . Simplesmente nao há interesse.
É da p/defender uma tese de Mestrado com este tema, mas resumindo, é o fim do fim.
A Polícia que prende Policiais funciona, mas a Polícia que investiga morte de Policiais não cumpre sua meta.
A Polícia do arrego tem efetivo e vtr, porém na hora de ser ostensiva, sei lá, cadê?
O Estado está abandonado pelo Estado, sobram recursos, contudo sofremos de ingerência, possuimos armamento, entretanto não temos um plano de segurança pública… até hoje…
Tem alguém ai ? O legítimo guardião da Leis está em extinção, deve ser por causa da música – “pol. p/quem precisa”, ou talvés pq a sociedade só pense no Policial qdo sofre assalto. O Simp está certo; é o fim do fim.
Boa sorte, T + …….
precisamos fazer alguma coisa….agora…já…
o governo do estado perdeu o respeito pela policia civil..
devemos fazer uma encontro na acadepol…com urgencia
estabelecer um comando de greve.
entregar o controle do movimento a esse comando.
imediatamente sugerir ao comando:
1- como ato simbólico de protesto contra o tratamen to diferenciado dado a PMERJ pelo governo:
- remover todos os presos custodiados na PCERJ, para o QG da PMERJ;
- entregar todos os cadáveres recolhidos no QG PMERJ
- todas as ocorrencias policiais tb serão direcionadas para o QG da PMERJ
- o comando manterá um grupo de policiais civis armados e com os rostos protegidos para não serem identificados.. na porta do Palácio Guanabara…
- o comando mantera esse grupo com lanches ate que o movimento acabe…
- esse grupo ficara na porta do Palácio até que o go verno do Estado atenda as reinvidicações:
a- imediato pagamento da geat em folha suplementar
b- imediato publicação do plano de cargos e salários já apresentado ao governo do Estado.
c- equiparar a policia civil a PMERJ, perante a Secreta ria de Segurança;
d-implantar imediatamente na PCERJ os benefícios que sao dados aos policiais militares (onibus alugados para transportar policiais na ida e volta ao trabalho, contratar policiais civis aposentados para trabalhar na pcerj, processos da pcerj não passarão pela SESP/RJ, como os policiais militares da SESP/RJ recebem o vale refeição da pcerj os policiais civis tb receberao o valor que esse policiais militares recebem nos contra-cheques ref. a desaranchamento.
e outros.. que devem ser acertados ..
É com essa crise mundial,eu não duvido que a policía civil cearense
suma do mapa com seu pequeno efetivo.
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Pense Nisso…
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
- No caminho com Maiakovski -
C O R R U P Ç Ã O
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