Tiras, ACORDEM PARA A REALIDADE!

Os mais atentos, principalmente os que têm contato pessoal comigo no dia a dia repararam que, em determinados períodos, a falta de publicação de novos posts coincide com determinados eventos. Na maioria das vezes é mesmo, apesar de outras tantas não surgirem novos artigos por preguiça, falta de tempo ou, a já superada (por mim) debilidade dos serviços das concessionárias públicas.

É que tento cumprir com as metas que estabeleci para o CdP, para não desanimar com o projeto, evitando exposição desnecessária. E criar um texto com o sangue quente é sempre complicado.

Sim, porque é estranho não tratar de alguns assuntos, e mais estranho ainda seria trazer para debates temas de menor importância enquanto o mal nos assombra. Como poderia postar um vídeo engraçado, ou uma novidade em armamento, enquanto vejo os tiras serem achincalhados?

Poderia-se escrever um livro. Sim, só para falar de um período recente, do Técnico em Necropsia Fernando MAD, assassinado durante um assalto quando voltava de seu trabalho no IML para casa, e como até hoje (salvo os esforços em paralelo de policiais que eram amigos dele), as investigações não avançaram oficialmente, por todos os motivos de deficiência (intencional) da estrutura de polícia judiciária que conhecemos.

Depois houve o caso da morte do Delegado Alcides Iantorno. Este sim, causou grande comoção pública, até jornalistas chegaram a sugerir a criação de uma força tarefa para caçar o assassino; a cúpula da PCERJ se mobilizou, e conseguiram reunir um batalhão de tiras para desvendar o crime, em menos de 48 horas; não faltaram recursos, não faltou cobertura da mídia. Não que tal Delpol não merecesse tanta atenção, afinal os tiras que trabalharam com ele sempre elogiaram sua conduta e atitude enquanto policial. Mas entrevistas no jornal traziam frases como “(…) foi uma afronta direta ao Estado Democrático de Direito, e não vai ficar sem resposta (…).

Daí, uma semana depois, mais um policial civil é assassinado. E este estava trabalhando, no dia de folga, no famigerado “bico”, fazendo segurança privada para complementar a renda. Bem como gosta o Governo, que assim o mantinha. O policial civil Celso Menezes Damasceno era lotado na DIT (Divisão de Informática e Telecomunicações) da PCERJ, e há anos trabalhava como segurança em uma fábrica na Avenida Brasil. Foi rendido por marginais que o amarraram e executaram covardemente.

Agora não foi uma ofensa ao próprio Estado Democrático de Direito? Não foi um absurdo? Não vão empenhar todos os esforços possíveis e impossíveis para caçar os criminosos? Não vão lembrar de seu valor para a instituição?

Pois é tiragem …

Qual o valor do policial civil para a sociedade? Aposto que 90% dos populares diriam que nenhum. Qual o valor do policial civil para o Governo do Estado? Isso já foi esfregado em nossa cara, pra mim foram uns 35 reais. E o valor para a Instituição Polícia Civil?

zoom cartaz PCERJSim, porque para fazer propaganda institucional, o colega servia. Quem não lembra dos milhares de cartazes em “comemoração” ao Dia do Policial Civil em 29 de Setembro, que foram espalhados em todas as Delegacias? Porque lá estava a foto do Policial Civil Celso Menezes Damasceno. Estava lá, a imagem dele, representando “O Policial Civil”. E agora, PCERJ? Ele não era policial civil? Clique na imagem do cartaz da PCERJ para aumentar a foto de mais este policial que se foi… e desculpem a qualidade da imagem, foi difícil achar um desses cartazes, pois todos foram substituídos pelos tais “200 anos”…

Pois é, melhor deixar passar o tempo para falar desses assuntos. Ainda mais depois de saber, por fontes fededignas, que aqui no Rio, os tiras devem ser considerados “massa de manobra, peões”. Ah, deixa quieto…

9 ideias sobre “Tiras, ACORDEM PARA A REALIDADE!

  1. Pois é Eduardo, ao meu ver, QUALQUER caso que envolvesse a morte de um colega, seja ele inspetor, delegado, auxiliar de necrópsia, deveria ser tratado como uma infâmia digna de resposta imediata, quem sabe assim, esses marginais pensariam dez vezes antes de tirar a vida de um dos nossos.

  2. Ele trabalhava comigo na DIT e nós eramos os responsáveis pela Radiofonia. Sempre estava se atualizando, nunca desistia. Homem amigo, destemido, pronto para ajudar a todos.
    Iria começar agora no início do mês, outro curso. Já tinhamos conversado sobre o assunto e ficado acertado que eu cubriria o dia dele.
    Não tenho palavras para descrevê-lo mais, era o amigo que frequentava a minha casa. Conhecia a Raquel, sua esposa, sua filha Aline e seu filho Gustavo.
    Tinhamos intimidades familiares.
    Estive com ele por todo o velório, somente não consegui ir ao enterro, pois tive problemas de pressão.
    Era ele sim que estava na foto. Ele simplesmente era o cara.
    Vai com Deus grande amigo.

  3. O que mais me surpreende, é a falta de espírito coletivo que os policiais demonstram.

    Todos sabemos que, em qualquer polícia do mundo, quando um agente é morto (ainda mais de forma covarde) TODOS passam a caçar os meliantes e, de preferência irão eliminá-lo. O que faz com que os criminosos pensem mil vezes antes de matar um policial. Mas aqui, não se sabe porque, essas mortes viram apenas “mais uma” estatística.

    Essa atuação dá aos marginais a carta branca necessária para matar e caçar os policiais impunemente.

    Infelizmente, esse “deixa pra lá”, parece ser algo genético ou atávico do povo brasileiro em todos os níveis de atuação.

  4. Só de ver a imagem dele e pensar que esse Homem,tão jovem um Herói está morto, já choca muito,fico pensando como vocês que o conheceram devem estar se sentindo… realmente lamentável saber que os criminosos que cometeram esse ato covarde possam ficar impunes.

  5. Sinceramente pode ser que a a Falta de Coletividade e total,como o amigo do blog,Maximus, Mesmo fala,
    da pra escrever um livro…

    doi voçê ve uma pessoa, que trabalhava Muito, e tinha
    que fazer bicos pra poder ganhar um auxilio,porém
    alguns Covardes, fizeram o que fizeram, esse heroi
    jamais serà esquecido, Deus o tenha e seja feita
    a Justiça.

    Um Adeus,uma Saudade a dor e a tristeza.
    Jamais será esquecido

    FORÇA E HONRA.

  6. Rubio: lamentável mais essa perda, sobretudo para quem tem mais ligações. EU não conhecia pessoalmente o colega, mas, sabendo quem você é, e do ditado “diga-me com quem andas…”, tenho certeza de que se tratava de um bom policial, e um bom cidadão.

    Ricardo, Arthurius, Leandro, Dafnis: boa observação a do Maximus. De fato, é o que vem ocorrendo. Acontece que a maior parte da categoria já não sente a menor ligação, como dizem os especialistas em gestão privada, não tem sinergia. Ninguém decente consegue se identificar com uma corporação por muito tempo da maneira como está.

    É notório que muitos tentam omitir sua identidade de policial. Quando não são criticados e chamados de ladrão por culpa de terceiros, são infernizados pelos mesmos críticos para “dar uma ajudinha” em qualquer problema. Melhor que nem saibam.

    Daí, quanto mais o cara se afasta, mais procura se desligar, menos dá importância, menos se identifica com outro policial morto.

    Difícil explicar mesmo, esse assunto pode render um bom post, vou tentar fazer assim que possível. Vamos tentar desenrolar essa idéia e filosofar um pouco.

  7. Pois porém acredito que a PCERJ e mais Unida do que
    a PMERJ,porque o que vemos e PMS,matando uns aos outros. da Pra manter um livro.. aew..
    mais deixa pra la Du.

    Faça um post que concerteza eu comento muito mais.

    aliais, obrigado pela resposta.

    FORÇA E HONRA.

    Leandro Menezes.

  8. Nunca deixe de relatar o que por aí vai, isso que faz é fundamental. E filosofar faz parte. Creia. jimym
    Fortalece, une…

  9. QUE PENA QUE SEMPRE ACONTECE ISSO NO RIO, CIDADE QUE JA FOI MARAVILHOSA E AGORA ESTA PERDIDA PARA A CRIMINALIDADE….

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