Polêmicas sobre o Vale Coxinha

Na Polícia Militar, a alimentação dos servidores se dá pelo “rancho”. No refeitório dos batalhões, os militares fazem suas refeições nos horários determinados. Dos Soldados, Cabos e Sargentos não faltam reclamações. Denunciam que o dinheiro destinado à alimentação é desviado para outras áreas do Batalhão, como as oficinas de manutenção de viaturas. Dizem também que os Oficiais se alimentam em um refeitório separado, e à eles é servida comida de boa qualidade, enquanto para os Praças a ordem é economizar.

Isso é o que ouço falar ou leio em comentários na Blogosfera Policial. Obviamente que eu sou a última pessoa indicada para tratar do assunto, e o que não falta é blog de policial militar, por isso recolho-me à minha ignorância in casu.

Então vou falar dos policiais civis. Houve época em que os tiras comiam em “restaurantes” conveniados com o Governo, que mensalmente pagava ao comerciante o valor das refeições servidas nos dias de plantão de cada policial. Dizem que este sistema não funcionou porque começaram a haver fraudes… que surpreendente!

coxinha de frango do botequimAgora recebemos vale refeição, que recentemente ganhou por parte da tiragem o carinhoso apelido de “Vale Coxinha”. Isso porque o valor do ticket não acompanhou as altas de preço do mercado gastronômico, principalmente no Rio, onde o custo médio de alimentação nas chamadas “comida à quilo” é de pouco mais de R$16,00.

O Pauta do Dia noticiou o descaso do Governo para com os policiais civis. Não é incomum ficarmos longos períodos sem receber o auxílio refeição, e volta e meia, em meio aos meses em atraso, “evapora-se” um talão. Prejuízo para o policial, que contava com os vales atrasados para pagar a conta “no pendura” do botequim mais próximo.

Desde Dezembro do ano passado estávamos sem receber os tickets. Recebemos agora, início de Março, 1 talão, que segundo informações é referente ao mês de Fevereiro. Não sei quando receberemos o de Março, que já era para estar sendo enviado para as DPs. O de Janeiro também nada sei. Alguns dizem que “já era”.

O atraso agora foi justificado pela demora na licitação. A empresa que venceu o certame licitatório foi, novamente, a que produz os vales Green Card. O valor foi mantido em R$8,00 e 22 vales. Tenho alguns questionamentos que já vêm de um tempo sobre o tema:

Na contratação do serviço, o valor global é fixo. Ou seja, a empresa diz quanto cobra para fornecer o total de vales, no período de 12 meses. Se o período pago pelo Governo do Estado é de 12 meses, ou seja, o ano de 2008 inteiro, porque há dúvidas quanto ao talão de Janeiro? E o de Março, porque ainda não veio? Só sei que o erário público vai pagar o valor de 12 meses, mas passados mais de dois meses apenas um foi pago.

Outra coisa que me perturba é que quando o policial entra de férias, ele perde o direito a receber o talonário de vales referente ao mês fora de serviço. Mas esse mesmo mês já está pago pelo Estado, o valor é fixo. A empresa não fornece esse 12º mês mas embolsa o valor? Ou se ela fornece, com quem acaba ficando o talão, já que quem de direito não o receberá? É devolvido à empresa, que re-embolsa o gasto que o Governo acabou não tendo? Eu, a exemplo de muitos, não tirei férias desde que entrei para a Polícia, recebi cada talão, salvo os que evaporaram nos atrasos do governo anterior.

O mesmo ocorre quando o policial entra de licença. Ele não recebe vários meses de ticket. Quem fica com eles?

Ah, vale lembrar outro fato estranho: quando o atual Chefe de Polícia assumiu o comando da PCERJ, os talões de vale refeição passaram a trazer 22 tickets. Antes recebíamos apenas 20. Nada foi explicado. Houve aumento na quantidade mesmo? Antes faziam a licitação errada, considerando a média de dias úteis de cada mês? Ou os 2 tickets extras eram efetivamente pagos pelo Governo mas não chegavam às mãos do policial? Mistério. Alguns até elaboraram à época algumas teorias, mas como estavam passando a receber mais (16 reaul), acabou ficando por isso mesmo. Só acho que, se fosse o caso de “aumento” de vales, todos os jornais estampariam na primeira página a magnífica e bondosa façanha do governador, o que estranhamente não ocorreu. Nem notícias internas…

Algum repórter podia correr atrás dessa matéria e sanar todas as nossas dúvidas. Eu tentei bastante, mas não consegui mais informações. Reconheço que tenho que estudar mais Direito Administrativo, Empresarial e outros ramos, mas…

Enfim, amigos da tiragem, o fornecedor de vales para a PCERJ continua sendo a mesma empresa, que arrematou o leilão oferecendo o preço de R$ 24.288.000,00 para fornecimento de 22 tickets por mês durante 12 meses, no valor de R$ 8,00 cada ticket multiplicado pelo número de servidores atendidos, 11.450 servidores (sim os “adidos” recebem ticket). Bons lanches!

7 ideias sobre “Polêmicas sobre o Vale Coxinha

  1. Tá aí uma boa bandeira para o recém ressucitado Sindicato de vocês defender: a transformação do tiquete alimentação em pecúnia, pago no contra-cheque.

    Na PMDF, até 1996, existia o rancho, com os mesmos problemas relatados por você em relação à PMESP: desvios para outras finalidades, corrupção, etc. Aqui teve até deputado federal PM eleito com ajuda do dinheiro do rancho.

    Só que, em 1996, para acabar com a corrupção e desvios, o governo decidiu transformar essa grana em dinheiro para o guarda. Hoje, cada PM do DF, de soldado a coronel, recebe R$ 450,00/ mês no contra-cheque, a título de auxílio alimentação, não importando se ele está de férias, licença médica, etc.

  2. Vcs sabiam que o contrato das quentinhas dos presos passaram de R$ 6.51 para R$ 13.12!

    Dá pra acreditar nisso? Não que o preso tenha que passar fome mas dai a ser mais valorizado do que o policial, é um absurdo !!!

    PC = R$8,00 dias
    Condenado = R$13,12

    CABRAL, PEDE PRA SAIR !!!!!!

  3. Amigos, ainda bem que aqui em minas o rancho já acabou a muito tempo. Agora Raphael,é muito triste ver uma comparação desta é como venho falando a muito tempo sobre esta inversão de valores é preocupante, pois, de tanto ver estas injustiças poderemos acabar acostumando com a ideia. NÃO PODEMOS DEIXAR QUE ISTO ACONTEÇA, NÓS POLICIAIS TEMOS NOSSO VALOR E MUITA FORÇA.

  4. Eduardo, pode me explicar pq não tirou férias?

    Um amigo de uma DP Legal, está há 5 anos sem férias. O motivo dele, é que mandaram uma indireta, falando que se tirasse férias, seria “bicado” para outra DP.

  5. SD: nos primeiros anos eu também ouvi umas indiretas dessa, mas não me preocupei porque já estava lotado em uma DP horrível, longe da capital e sem a menor estrutura. Ser bicado para mais longe era possível, mas não liguei muito.

    Só que no início da carreira estava empolgado com os novos serviços, então acabei não gozando férias. Depois passei a trabalhar em uma escala bem dilatada, típica do interior, onde você tira alguns plantões seguidos e fica 1 semana sem dar as caras.

    Quando vim para o Rio, novamente fiquei empolgado, é “outra polícia”, o ritmo é totalmente diferente. Daí só lá pelo início do ano passado comecei a desanimar de novo, depois de perceber que quem mais se dedica só se ferra, e não tem a menor perspectiva de melhorias, que dirá salariais. Já estou me preparando para tirar férias de vez agora. Acabou o fôlego… graças aos sucessivos desgovernos. 🙁

  6. Enquanto estamos tentando sobreviver, nosso Ilmo. Governador está passeando. Sempre nas boas intenções.
    Quero informar que os servidores da Justiça acabaram de ganhar mais um aumento e seu auxílio-refeição. Comentaram que iriam fazer greve então, conseguiram aumento de R$ 15,00 para 18,00 para refeição e no auxílio plano de saúde, que passou de R$ 114,00 para 149,00. Ter Sindicato forte é muito importante…enquanto o nosso…é vendido.

  7. Cara, esse atraso é lamentável. Mais ainda é o vale ser pago nos ultrapassados carnês. Aqui em SP usamos o cartão VR, que não atrasa (por enquanto) e o valor é a expressiva quantia de 4 reais por dia útil. Esse sim é o verdadeiro Vale Coxinha. Se tirar férias ou licença perde o valor correspondente (claro!). Quando é promovido para 3a classe como prêmio o benefício (?) é cancelado! Os delegados nem recebem. Ah, e se deixar acumular dois meses para ir ao suprmercado com dignidade eles bloqueiam o seu saldo e dá um trabalhão para desbloquear. Aos colegas do RJ, boa sorte.

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