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Delegados do AM correm atrás do prejuízo

Publicado em 29/01/2008 - Categoria: Notícias em Análise

Os Delegados da Polícia Civil do Amazonas estão se valendo de um dos meios que será exaustivamente explorado pelo SINDPOL-RJ ( tão logo sejam percorridos os últimos caminhos burocráticos ), para fazerem valer seu direito: Ações Judiciais.

É que um grupo de noventa, dos 170 servidores que atuam no cargo, aguardam o julgamento de um Mandado de Segurança impetrado contra o governador do Estado do Amazonas, observando que um artigo do Estatuto da Polícia Civil não está sendo cumprido. O tal artigo estabelece que os salários dos Delegados de Polícia de 1ª Classe não podem ser menores que 10 % do salário bruto do delegado-geral, que hoje é de R$ 13 mil. Se cumprida a Lei, como deveria ser, o salário do Delegado de Polícia Civil de 1ª classe no Amazonas seria de R$ 12.300,00 bruto, ao invés dos atuais R$ 7.800,00.

Tomei conhecimento do fato através do excelente Diário de um Juiz, que fez um post noticiando o fato, e do qual extraio os parágrafos abaixo:

Os delegados são divididos em cinco classes. Ele começa sua carreira na quinta classe e se aposenta na primeira classe. De acordo Aufiero, o que a categoria quer é que o “governo valorize os delegados, já que todos são bacharéis em Direito.” “A polícia está perdendo três delegados por mês em virtude do baixo salário. Cada delegado comanda uma equipe de 60 homens e seu trabalho precisa ser reconhecido“, afirmou.

Aufiero disse ainda que outras carreiras são bem mais valorizadas pelo Estado. “Um defensor público inicia a sua carreira com um salário de R$ 9.500 e tem a mesma formação de um delegado. É cada vez maior o número de delegados que prestam concurso público e deixam a carreira. Com isso o Estado só tem a perder”, acrescentou.

Perceba-se que a problemática é a mesma das quase totalidade das polícias civis do Brasil: os servidores que já foram treinados pelo estado e que já adquiriram experiência, estão fazendo concurso para outras instituições. Assim, o profissional já formado e preparado para gerir a segurança pública deixa a instituição, e entra no seu lugar outra pessoa que vai ter que ser igualmente treinada e experimentada. E essa outra pessoa igualmente vai deixar a corporação em breve.

E isso acontece muito mais entre os tiras (Investigadores, Inspetores, etc) do que entre os Delegados. Primeiro porque, ainda que injustamente remunerados pela importância e peculiaridades da função que exercem, o salário dos Delegados ainda possibilita viver razoavelmente. Depois que, proporcionalmente, a classe dos agentes da autoridade é infinitamente maior, e os profissionais desta área possuem freqüentemente excelente formação acadêmica, com conhecimentos muito além do exigido para o exercício do cargo.

O círculo vicioso que se forma tem um custo alto para o erário público. Bem mais alto que o valor de um reajuste eventualmente concedido pelo governo. Isso porque a formação de um policial, se feita de maneira séria, é dispendiosa e demorada. Mas no fim, o cara passa para juiz, promotor ou outro cargo bem remunerado e pede exoneração e fim de papo. Fica a vaga ociosa até o próximo concurso, com novo curso de formação.

Mas é claro que os governantes sabem disso…

obs: este post foi editado a fim de reparar um deslize na exposição do tema principal, que poderia desviar o foco de eventuais debates acerca do mesmo. Maiores explicações nos comentários.

8 comentários »

  • Roger comentou:

    É evidente que os governantes sabem. E direi mais: hoje o baixo salário dos “tiras” é apenas um dos muitos enganos pelos quais passam os policiais. Aos poucos descobre-se a força e o domínio que os policiais de outras categorias que não os delegados, possuem no inquérito.

    E isso é um problema para nossa sociedade que prima pela imobilidade de dogmas sociais.

  • eduardo comentou:

    PÔ:

    “e os profissionais desta área possuem freqüentemente formação igual ou melhor que os próprios Delegados”

    se o intuito desse texto era chamar a atenção para um problema da PCERJ, para que provocar sem razão os delegados? Tem gente que parece ter vocação para criar intriga e polêmica desnecessária.

    não preciso ser delegado para dizer que isso é claro incomodará a eles, não agrega nada de conteúdo ou valor ao texto e ainda faz a alegria de nossos “inimigos externos”.

    Para que, né?

  • Eduardo/RJ comentou:

    Roger: é, a regra tem sido a super-especialização, todo mundo estudando tanto para passar para concursos que paguem melhor, como MP e Judiciário, que acabam não tendo onde enfiar tanto conhecimento. Conhecer é poder…

    Eduardo (xará 😉 ): tem razão, foi um cutucão mesmo. Mas nada mais que a verdade, que precisa ser exposta. Quanto à intriga eu dispenso, mas a polêmica é o foco.

    Aposto que os Delpols com quem trabalho jamais vão se sentir provocados com isso, bem como outros com quem trabalhei. Mas alguns vão vestir a carapuça, isso é certo. Acontece em todas as carreiras, existem servidores que param no tempo e não sabem nem quando uma Lei foi revogada por outra. Normalmente acontece com quem se esconde em cargos burocráticos ou delegam todas as atividades que podem para trabalhar o mínimo possível. Sim, são a minoria mas existem e empobrecem a importância do papel que deveriam desenvolver.

    Ademais, exaltar a qualidade de uns não desmerece a de outros. Ao menos é o que penso. É, ficou meio estranho, mas acho que deu pra entender.

    Quanto ao “não agrega nada de conteúdo ou valor ao texto”, relendo agora, concordo contigo, obrigado pela crítica construtiva.

  • Eduardo/RJ comentou:

    À todos os leitores e especialmente ao meu xará acima:

    Comecei a escrever este blog por um misto de diversão, vontade de interagir, e necessidade de me expressar, mesmo que ninguém desse atenção ao meus textos. Já passou um bom tempo, e pra ser sincero nunca imaginei que fosse contar com a presença constante de pessoas debatendo os artigos aqui postados e visitando frequentemente o site, mormente pelos assuntos aqui abordados.

    Obviamente que não tenho pretensões literárias ou jornalísticas, caso contrário não teria feito concurso para Polícia ou faculdade de Direito. Mas reservo aos textos que redijo uma boa dose de atenção na confiabilidade das informações e qualidade dos artigos.

    Por isso mesmo a crítica do Eduardo me deixou encucado aqui. De fato, aquela provocação/afirmação não tem nada a ver com a mensagem abordada, nada a ver com o teor do texto. Poderia ter feito um outro artigo falando aquilo, e tecnicamente ficaria melhor, mais profissional. E se pretendo fazer alguma coisa, procuro fazer da melhor maneira possível.

    Desde o primeiro artigo, nunca editei textos anteriores. Quando leio o post depois de alguns meses tenho vontade de modificá-los, e poderia, basta clicar no botão “editar” que tenho aqui. Mas não o faço, primeiro porque se tiver que falar algo diferente, ou mudar de opinião, melhor que seja editado novo artigo. E depois que é uma referência pessoal para o aprimoramento. Leio coisas que escrevi há meses e penso “pô, ficou meio infantil isso…”. Mas não mudo.

    Escrever um blog tem seus pontos difíceis. O ideal seria escrever um texto, guardá-lo, e ler de novo uns dois dias depois, para só então publicá-lo, modificá-lo se preciso ou mesmo apagar o dito cujo. Mas aí tem outro problema: o assunto sai de pauta, fica intempestivo e sem interesse.

    Quanto ao assunto da formação de alguns tiras e delpols reitero meu pensamento. Mas para preservar a boa técnica que venho buscando (e, também acho, longe de ser alcançada hehehe), e em concordando com a observação do amigo, vou editar aquele pedacinho, buscando salvaguardar o alerta sobre a falta de prestígio dos cargos policiais que queria inicialmente passar desde o início. 🙂

  • César Nascimento comentou:

    Aqui em São Paulo, onde os delegados recebem um dos piores salários do país, é grande o número de colegas que deixam a carreira em busca de melhores salários, muitas vezes em profissões de menor complexidade e que exigem apenas o nível médio de escolaridade. Exemplo disso são os colegas do concurso de 2003: dos 180 aprovados aproximadamente 70 pediram exoneração. Quem perde com isso é o Estado e principalmente a população, que tem de conviver com a falta de profissionais. Os delegados são uma referência para a população e, como autoridades de segurança pública, ajudam a coibir crimes e reduzir a criminalidade. São profissionais sérios, que merecem ter seu trabalho reconhecido e ser bem remunerados!

  • Débora comentou:

    No Blog do Promotor de São Paulo, os vi reclamando da remuneração dos delegados. A recém-criada DPGE paulista paga melhor aos defensores do que a Polícia Civil aos delegados, nos levando a uma conclusão infantil de que o Estado paga mais para defender bandidos do que para prendê-los. Acho sim que temos que ter uma boa defensoria, é um contra-peso importante do sistema penal. Mas deixar de pensar nas polícias é que é o problema…

  • reinaldo rodrigues de lima comentou:

    sor soldado sepre serei mais chego a hora de fazer a difenresa selva!para fazer o concurso poder sor te o curso tec aida mais e na area de saude nao tei nada ver o sor para que tei curso sup!selva!amazonas!brasil!

  • Aldemir Araujo Vicente comentou:

    Gostaria de saber como fica o Salário dos Policias da Classe Especial, caso aja um aumento para os Delegados das Classes, seria um aumento para todos os Policiais certo, tanto para os cabos, como para os Policiais de Classe 1°, 2° e etc.
    Ou não, espero respostas, Obrigado, até mas…

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