Maconha, de novo, Perigosa

Um tema que queria abordar desde o início deste blog é o debate que gira em torna da descriminalização da cannabis sativae, ou como é vulgarmente conhecida, a famosíssima e cultuada “maconha“.

Ainda não pretendia entrar no mérito porque antes queria reunir um bom material, com muitos dados estatísticos e pareceres científicos e jurídicos. Mas sendo o assunto abordado neste artigo, inevitavelmente os comentários por si só deverão impor a tônica do debate.

O ponto é que dos países chamados de 1º mundo, ou os países desenvolvidos, alguns deles que pegavam leve com o usuário de maconha hoje estão retrocedendo. O que chamam de “capital da maconha”, Amsterdã na Holanda, é um desses lugares onde a Polícia e a Lei estão ficando mais duras, ou caminhando para tanto, com aumento da repressão contra o usuário de drogas.

Agora foi no Reino Unido. O governo britânico vai reclassificar o status da droga, que lá é dividida em três classes: A, B e C.

No grupo “A” estão as mais perigosas: heroína, cocaína e ecstasy. No grupo “B” as anfetaminas, e no grupo “C” encontra-se a maconha, além de remédios que no Brasil recebem a tarja preta, como Valium, além de anabolizantes e esteróides usados pelos marombeiros de plantão.

Hoje, o usuário pego com um cigarro de maconha por lá recebe o mesmo tratamento que aqui no Brasil: o usuário é apenas advertido, ou seja, toma um esporro do juiz. Pensando que evoluir é copiar tudo que se faz em outros países ao pé da letra, os sagazes políticos brasileiros editaram a Lei Anti-drogas (Lei 11.343/06), que aumentou a pena de prisão dos traficantes miseráveis e favelados, e abriu as pernas para os usuários, viciados ou maconheiros que têm dinheiro para queimar.

marcha da maconha

Com a nova medida do governo britânico, quem for pego com o mesmo cigarrinho de maconha vai puxar até 5 anos de cadeia, além de ter que pagar multa cujo valor é ilimitado, dependendo da condição social do drogado. Mais parecido com o que era no Brasil antes dessa nova e ridícula Lei Anti-drogas (porrada no traficante e palmas para o maconheiro) e da Lei 9099/95, que também aliviou bastante o lado dos cheiradores e xinxeiros (é assim que escreve isso?).

É a mesma tendência ilusionista de medidas como proibir que motociclistas no Rio circulem com caronas, conforme já destacou o Blog da Seg. Pública. “Ah, na Colômbia deu certo, e estamos copiando tudo de lá…”. Eu diria que quando se sabe fazer alguma coisa, não se precisa copiar de ninguém. E se na Colômbia, além de proibir garupa na moto e instalar teleférico nas favelas surtiu efeito, que não se esqueçam que antes disso o Governo valorizou o servidor da segurança pública, aumentou drasticamente os salários dos policiais, combateu com seriedade a corrupção policial, além do investimento em saneamento básico e saúde da população. Ah, lá na Colômbia também proibiram que os motociclistas usassem capacetes, a fim evitar a ação dos matadores que não podiam ser identificados… vão proibir o cidadão de cumprir o Código de Trânsito BRASILEIRO aqui também? Eu tenho um exemplar da CRFB/88 na estante…

É isso. A política brasileira avança, imitando tendências de outros países. Sendo que estes mesmos países, após testemunharem os efeitos negativos, os erros, voltam atrás. Mas nós vamos seguindo nessa vidinha… e tem gente (muita) que gosta.

Uma ideia sobre “Maconha, de novo, Perigosa

  1. Bom tema, em princípio sou a favor de limitar drasticamente a propaganda do alcool, assim como foi feito com o cigarro, e paralelo a isso “legalizar” a maconha. Em verdade, vejo benefícios substanciais caso fossem adotadas tais medidas.

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