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A Polícia gringa também Pede Socorro!

Publicado em 09/01/2008 - Categoria: Notícias em Análise

Foi até irônico ter feito o post anterior falando sobre uma mudança de lei no Reino Unido, e logo em seguida voltara falar de outro assunto de lá, parece que estou obcecado. Aliás, a título de esclarecimento caso escape por aí, o Reino Unido compreende a Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales.

Acontece que lá também está rolando um stress entre os policiais e o governo. Nada como aqui – já que o governo mal reconhece seus policiais como cidadãos de direito – mas o clima esquentou.

Ocorreu que lá foi acertado entre o Governo e a classe policial um reajuste de 2.5%, que deveria retroagir ao mês de setembro do ano passado. Contudo, mudando a decisão unilateralmente (já viu esse filme?), decidiu-se que o reajuste só retroagiria até dezembro, o que na verdade refletiria que o rejuste do período passaria para 1.9%.

Os policiais buscam uma reunião urgente com a Secretária de Estado Jacqui Smith para discutir o assunto, e ameaçam entrar em greve. O governo estuda uma maneira de impedir a greve e até demitir os policiais que aderirem ao movimento paredista. Vejam o panfleto de convocação que encontrei:

greve policia inglaterra
O texto diz mais ou menos (meu inglês é triste): “Esta mulher vendeu sua honra por dinheiro… SEU dinheiro / É hora de deixar ela e todos os deputados sentirem a força de nossa raiva com a traição do Governo para com o salário do policial / Marcha de Protesto / Junte-se aos seus colegas de toda a nação em uma reunião e marcha em Westminster / 23 de Janeiro de 2008 às 10:30 horas / Maiores detalhes serão divulgados em breve

Os caras estão arrumando a maior briga por causa de 0.6%, e os omissos da PCERJ só sabem falar “Ah, 4% foi sacanagem, magoou…”. Como dizia um colega ontem, o policial, o brasileiro em geral, tem que deixar de ser acomodado, e reclamar sim seus direitos. Disse ele que só aqui no Brasil não pegamos 3 centavos de troco porque tememos passar por mesquinhos, e engordamos o bolso de quem já está com muito e abrimos mão do que é nosso, mesmo estando na pior. E é verdade, brasileiro se acomoda e se acostuma com tudo, principalmente os policiais.

No Reino Unido, um policial em início de carreira recebe atualmente 21.500 libras, e os com mais tempo até 33.800 libras por ano. Fiz uns cálculos e usei uns conversores de moedas e não sei se está certinho, mas convertendo para nossa moeda, o salário de um policial assim que entra para corporação é de R$ 80.000,00 por ano, o que daria mais ou menos R$ 6.700,00. Não sei se existem gratificações ou coisas do gênero, mas certamente eles não têm que pagar plano de saúde porque os hospitais não funcionam, ou enfrentar criminosos entorpecidos e armados com fuzis de guerra com a população passeando no meio.

E, olha que inusitado, talvez a greve da Polícia da Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales ocorra ao mesmo tempo que a greve da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. Que chique hein. O detalhe é que lá não tem Carnaval…

3 comentários »

  • PEPE comentou:

    Ótimo! Greve! Greve! Greve! O comando deve decidir por fechar as DPs! Nenhuma. NENHUMA ocorrência ser feita salvo as que envolverem morte. Se paramos um dia ninguém nota. Se paramos cinco somos notados. Mas se permanecemos dez dias parados incomodaremos a todos. A população tem que saber da nossa causa. Que não queremos só reajuste; antes disso a reposição do que nos foi tungado. E ouvir e ver – das imagens gravadas – o sr. Sérgio Cabral dizendo ser ” perfeitamente factível e economicamente viável ” atender nossa reinvindicação quanto a Geat.
    Ele só vai entender com greve.

  • Victor comentou:

    A situação parece semelhante, mas Europa é Europa, nosso erro é se contentar com tão pouco…

  • Cathalá comentou:

    Duvido que o governo britânico deixe a polícia de lá entrar em greve. Nesses países polícia é tratada com respeito não só no que se refere a salários, mas também se reconhece a importância da instituição. Portanto acho pouco provável que o governo fique relutante e que deixe que a polícia inicie a greve. Provavelmente o governo vai ceder ou então chegarão a um meio termo pelas negociações. O peso político de uma greve policial é enorme e um primeiro ministro recém empossado nao vai querer isso em seu currículo.

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