De volta, e mais do mesmo

Ficar muito tempo sem escrever é dramático. Mais dramático ainda em se tratando de um tema como polícia e segurança pública.

Nós do Rio estamos recebendo a ilustre visita de representantes da ONU. Normalmente nós que não acompanhamos tão de perto temas internacionais só ouvimos falar da Organização das Nações Unidas em notícias de guerras mundo afora. Mais um indicativo de que a expressão “guerra civil” cada vez mais faz sentido no Rio.

O relator da ONU veio ao Brasil verificar as precárias condições de trabalho das polícias, principalmente a fluminense. Vão elaborar um relatório narrando o péssimo tratamento que o governo dispensa aos policiais, os salários totalmente defasados após mais de 1 década sem reposição ou aumento real; as viaturas da PM caindo aos pedaços literalmente; as viaturas da PC em igual situação, e todas ostensivas, impróprias ao trabalho de investigação; a presença do crime organizado e as máquinas caça-níquel espalhadas pela cidade a vista de quem queira ver sem que nenhuma providência seja tomada; dentre outras coisas…

Ah, tá, eu tava brincando. Na verdade eles vieram checar as denúncias das ONGs e da OAB acerca dos abusos e da violência policial contra traficantes durante confrontos em favelas. Esses perversos e tolos policiais que insistem em prender bandidos armados com granadas e fuzil, e que surpreendentemente não se entregam. Que os representantes da ONU tenham uma boa estadia (espero que contem com carros blindados e bastante seguranças para circular pelo subúrbio). Se bem que o governador não está lá querendo ser contrariado

Ao mesmo tempo, mais policiais assassinados. Dois policiais militares em uma cabine da PMERJ foram mortos a tiros disparados por mais de 30 criminosos no bairro Andaraí. Em Realengo mais um policial civil morto ao tentar reagir a assalto em um consultório médico onde aguardava ser atendido. Provavelmente a ONU e as ONGs vão fazer constar isso no precioso relatório deles. Sentimentos às famílias dos policiais nesse momento difícil, força e honra.

A antiga DRE (Repressão à Entorpecentes) mudou de nome e virou DCOD (Combate às Drogas – é, eu também achei o nome horrível) e andava sumida depois que a equipe do Chefe de Polícia assumiu o comando por lá. Aliás, maldade os comentários de que a DCOD havia sido extinta, poxa. O que importa é que eles entraram no ritmo do pessoal da 16ªDP e caíram matando nos traficantes de êxtase e outras drogas. A “playboyzada” da zona sul rodou bonito, e considerando que são todos estudantes e não tem curso superior completo, se o Judiciário adentrar por caminhos suspeitos, os meninos serão muito bem recebidos na POLINTER pelos seus amigos do CV e ADA e outras porqueiras dessas. Uma pena, um dos presos é uma presa na verdade, um belo exemplar por sinal. Ficou muito chique e “cult” com o par de algemas, vai tirar onda no condomínio depois que sair da carceragem feminina, onde certamente será também bem recebida, e descobrirá coisas novas, novos pecados… veja na galeria do jornal O Dia as fotos da gatinha presa por suspeita de tráfico 😉

E olha que legal, a operação da polícia fluminense rendeu até em Belho Horizonte, onde os policiais mineiros agarraram mais 5 cablocos que compravam drogas sintéticas dos manés cariocas!

A comemoração de 43 dos 73 PMs que estavam presos por suspeita de envolvimento com o tráfico de drogas também gerou polêmica. Pessoalmente, penso que comemorar a saída de uma prisão deve fazer sentido, na verdade não sei nem quero saber como é isso. Nada mais normal os caras e familiares ficarem feliz com a liberdade. Porém concordo que a queima de fogos e a saída em carros de luxo importados não pega muito bem para quem foi flagrado em escutas telefônicas negociando propina com traficantes. A soltura dos suspeitos de deu porque o promotor de justiça cometeu uma falha processual quando fez a peça de denúncia, ops.

Policiais da POLINTER ainda fizeram operação na favela do Jacarezinho, e conseguiram apreender mais de 400 quilos de maconha, três fuzis, granada, cocaína e crack. Mas como não morreu ninguém, valeu apenas uma notinha no jornal, sem fotos. O trato é esse, sem sangue, sem glória! Enfim, parabéns à POLINTER!

E esperamos voltar com nossa programação (a)normal. Falando nisso, o que vocês que são policiais no Rio compraram com os 4% de “aumento” no “salário”? Tá bom ou tá ruim? 😉

7 ideias sobre “De volta, e mais do mesmo

  1. Enquanto esses inúteis da ONU ficam fazendo turismo e escutando reclamações ridículas das ONGs e da OAB,esse tipo de coisa continua acontecendo…

    http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL176441-5606,00-MORRE+POLICIAL+FERIDO+EM+TIROTEIO.html

  2. Porque nao botou esse tal de philipp pra dar uma voltinha de caveirao nas ruas do complexo do alemao.

  3. Bom dia Amigos, é muito fácil dar palpite na casa dos outros, quanto sangue ainda tera de ser derramado para que providências energicas e concretas sejam tomadas, não precisamos de observadores da ONU para nos falar onde estão os problemas, qualquer pessoa sabe que a falta de educação,má distribuição de renda, a falta de escolas profissionalizantes para os adolescentes, oportunidade no mercado de trabalho e o mais importante, a degradação da familia e ainda a ausência de politicas de Estado para a segurança pública que só se manifesta quando em época de eleição ou através da midia comprada divulgando mentiras colocando a população contra os profissionais de segurança pública. Eu agora pergunto novamente aos amigos até quando estaremos reféns desta politica mesquinha.

  4. Pena que os nossos parlamentares não se esforfam tanto para mudar as leis penais como a rapaziada tem se esforçado para botar traficantes de grife na cadeia.
    E mina traficante pra mim é rata.
    gd ab

  5. Pessoal, entendo que os policiais estejam revoltados com as acusações de poucos. Mas observem os comentários dos leitores do Globo, observem até a reportagem do Globo sobre a morte do bravo Eduardo. Há um nítido apoio da imprensa e da população nas ações da polícia. A Globo o tempo inteiro chamou o policial pelo nome, e não como “mais um policial”. A população quer a polícia, ONU e ONGs são poucos. Não vamos gastar energia pensando nesses engravatados. Foco, agora a polícia tem que decidir, bola ou búlica, ou seja, greve ou guerra.
    Abçs aos guerreiros, meus sentimentos aos 6 policiais que faleceram nesta semana.

  6. Nada mais revoltante do que esses gringos que vem aki dar pitacos ali e akolá…esse senhor, obviamente sem seguranças, deveria participar de uma “entourage” ou como eles gostam, um “sightseeing” pelo complexo do alemão…se ele voltasse inteiro, teria muita história pra contar. Não dá pra tapar a chuva com uma peneira, estamos em guerra! Será que esse senhor já viu o vídeo do “Enola Gay” despejando uma bomba nuclear em Hiroshima, matando milhões? Tá em tempo da ONU cobrar isso, sem falar no Oriente Médio…talvez, uma bala perdida mudasse o relatório desse senhor.

  7. Pega esse gringo e coloca uma roupa da PM ou um jaleco da Civil nele e manda entrar a pé em qualquer favela do Rio. Tadinho, iria mudar seus pobres conceitos rapidinho. Pra mim bandido bom é bandido morto, que virem adubo.

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