7 de Setembro, Nada a Comemorar

BOPE desfila no 7 de Setembro

Em Alagoas, onde os policiais civis são mais unidos e corajosos que no Rio e São Paulo, as reivindicações de classe são levadas a sério.Em todos os estados brasileiros ocorreu hoje o famoso desfile de 7 de Setembro, com passagem de bandas, empolgados militares, caminhões e tanques de guerra. É o dia em que ninguém lembra o quão sucateadas estão as Forças Armadas tupiniquins. Que ninguém lembra o quanto ganha um Soldado do Exército. Que ninguém lembra que os recrutas são liberados do serviço ao meio dia pois não há verba para bancar o almoço nos quartéis. Que todos fazem questão de esquecer a assustadora quantidade de armas de guerra desviada dos quartéis diretamente para os narcoterroristas.

Em Maceió (AL) não foi diferente, a não ser por um pequeno detalhe. Os policiais civis, em greve já há 30 dias devido aos baixos salários e falta de condição de trabalho.

Eles foram lá, animadamente participar do desfile e exercer o direito constitucional da livre manifestação. Mas o evento acabou sendo interrompido, nem chegou ao final. Os policiais militares alagoanos cumpriram com determinação as ordens superiores e impedindo que os policiais civis passassem pela avenida, o que provocou um certo tumulto, como pude ver nos jornais televisivos. A Major PM Maria de Fátima lamentou o ocorrido, e que os policiais civis quebraram o protocolo (ah, que peninha, magoou). Poxa pessoal da PCAL, que coisa feia!

Parabéns aos policiais civis de Alagoas, por sua persistência, união e coragem, e que um dia nós aqui no Rio tenhamos metade desses atributos!

Falando no Rio, por aqui tudo transcorreu normalmente. Os desfiles foram um sucesso. As Forças Armadas, a Polícia Militar e Bombeiros Militares entre outros mostraram todo seu vigor e disposição, marchando sob intenso sol. Sol este que levou, como de praxe, muitos cariocas às praias, onde puderam presenciar mais um exuberante espetáculo, dessa vez da Marinha, com 20 grandes navios de guerra cruzando toda a orla. Como sou orgulhoso de minha pátria…

Não inventamos nenhum protesto para hoje, afinal não queremos atrapalhar a vida dos milhares de cidadãos fluminenses que desfrutam de toda a segurança que o Rio oferece. Somos os inconvenientes. Somos, nas palavras do Secretário de Segurança. Os indignos. Somos os mendigos de distintivo, e não queremos incomodar.

Mas o Rio de Janeiro onde moro é diferente. Não tenho curtido muito as praias. Não tenho ânimo para desfilar. Nem no grande Dia da Independência, nem no Carnaval.

No meu Rio de Janeiro, nos últimos 3 dias 22 pessoas morreram em confronto com a Polícia. Policiais ficaram feridos por estilhaço de granadas. Um Delegado que entrou na Polícia pela janela ficou bêbado e roubou cidadãos, e a corregedoria disse que iria investigar. Uma policial militar foi torturada durante roubo à seu apartamento e tentaram arrancar seus dentes e unhas com um alicate. Outra PM feminina foi capturada por bandidos, levada para a favela e espancada, e depois que conseguiu fugir foi novamente espancada, dessa vez pelos inocentes moradores da mesma favela e entregue de novo aos bandidos para ser novamente espancada. Um policial federal foi baleado em tentativa de assalto. Um PM, um bombeiro e um guarda municipal foram presos por praticarem seqüestros. Um Delegado que denuncia a máfia que tomou conta da PCERJ e também do IML sofreu um atentado a tiros. Um Perito Legista denunciou crimes e fraudes no IML e agora está ameaçado de morte, mas foi afastado por desvio de conduta, por ter exibido fotos das péssimas condições do IML . Meu Rio de Janeiro não tem nada, absolutamente nada a comemorar.

A única coisa que comemorei hoje foi a atenção que despertou a batalha dos policiais civis alagoanos por condições dignas de trabalho e salários compatíveis. Só. Porque o policial civil do Rio tem coragem para enfrentar criminosos drogados e armados com fuzis de guerra, mas não tem coragem para lutar por si próprio.

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