Campeonato de Tiro PCERJ 2007

Dia 29, sábado passado, correu o Campeonato de Tiro em comemoração ao dia do Policial Civil no ano de 2007. O evento foi realizado no estande de tiros da Academia de Polícia, no bairro do Caju, que foi preparado e teve até a grama (matagal na verdade) aparado.

Queremos deixar consignado o reconhecimento pelo profissionalismo e dedicação do grupo de colegas da ACADEPOL que organizou o evento e que, a despeito da total falta de estrutura e abandono pelo Governo, conseguiram fazer com que o Torneio fosse um sucesso, e todos os policiais que lá estiveram com suas famílias ficaram satisfeitos e até surpresos pela qualidade da estrutura montada.

Também os elogios aos candidatos ao cargo de Investigador, classificados no último concurso, que já concluíram o curso de formação da ACADEPOL e aguardam apenas sua nomeação, que não saiu ainda por questões, infelizmente, políticas. Eles, que ainda se encontram na condição de alunos da Academia fizeram a diferença para o sucesso do campeonato.

Confirmei também que de fato o CAT (Curso de Ações Táticas) vai comprometer toda a estrutura da ACADEPOL, e durante este período não haverá treinamento de tiro para os policiais civis. Aliás, parece que a quantidade de munição que foi separada para o CAT é enorme, e cada aluno deste curso dará mais de 2 mil tiros, quantidade espantosa, já que nem em cursos pagos se alcança esta marca. Sim, um contra-senso à falta de munição para os policiais, tanto para o serviço quanto para treinamento. Lembre-se, cada policial civil recebe por ano 25 munições para pistola.

Competição de Tiro da Policia Civil

Mas voltando ao assunto, chegamos no estande de tiros já na metade da competição (né Chao), então não tive tempo de fazer muitas imagens pois eu mesmo estava competindo, e não dá para atirar, fotografar e filmar ao mesmo tempo. Ainda assim restam algumas imagens, que com certeza não dão a dimensão do evento, mas servem pra quem não foi ter uma idéia.Eu tinha dito que iria passar a maior vergonha, mas até que não fui tão mal. Não fosse a prova da sub-metralhadora eu diria que fui bem. Se o alvo fosse um marginal, e eu tivesse que abate-lo usando a sub com certeza ele iria correr muito… ileso 😉 A classificação das equipes deve sair no meio da semana, os primeiros lugares ganharão medalhas.

Vejam então as regras, e assistam ao vídeo com breves momentos da competição.

PISTA 01 – ESPINGARDA WINCHESTER 12 GA : O competidor iniciará a pista com a arma carregada com 04(quatro) cartuchos, mais 01(um) cartucho junto ao corpo, câmara vazia, dedo fora do guarda-mato e arma direcionada a 45º em relação ao solo. Ao sinal sonoro efetuará disparos, podendo efetuar a recarga no momento que preferir, em 04(quatro) alvos metálicos (pepper popper), que deverão cair, a distância de 12 a 15m, cada alvo valerá 1 ponto e o tempo servirá como critério de desempate

PISTA 02 – FUZIL M-16 A-2 COMMANDO : O competidor iniciará a pista com a arma carregada (carregador inserido municiado com 15 cartuchos), alimentada, alavanca de registro de tiro em safe, e terá 1(um) minuto para efetuar os disparos, posição livre, estando o alvo (adaptado de NRA) a uma distância de 20(vinte) metros. Cada disparo efetuado após o término do tempo acarretará na perda de um ponto de maior valor que o atirador tenha obtido.

PISTA 03 – SUBMETRALHADORA WALTHER 9 mm : O competidor iniciará a pista com a arma carregada (carregador inserido e municiado com 15 cartuchos), ferrolho fechado, alavanca de registro de tiro em “E” (opção de disparos intermitentes), dedo fora do “guarda-mato”, posição livre, terá 1(um) minuto para efetuar os disparos, estando o alvo (adaptado de NRA) a uma distância de 20m(vinte metros). Cada disparo efetuado após o término do tempo acarretará na perda de um ponto de maior valor que o atirador tenha obtido.

PISTA 04 – PISTOLA NRA : O competidor iniciará a pista com a arma carregada alimentada, com 10(dez) cartuchos, cão rebatido, dedo fora do guarda-mato, direcionada a 45º em relação ao solo, a 10(dez) metros de distância do alvo (adaptado de NRA), ao sinal sonoro efetuará os 10 primeiros disparos em pé, ao final destes, estando a pistola “fria” e com o ferrolho aberto, ajoelhará, recarregará (carregador reserva junto ao corpo), efetuará mais 10 disparos de joelho, no tempo máximo de 01(um) minuto. Cada disparo efetuado após o término do tempo acarretará na perda de um ponto de maior valor que o atirador tenha obtido.

[youtube TsGFP7XMoVI]

Link para o vídeo do torneio de tiro se não apareceu acima

Adidos da PCERJ, o que fazem ?

Um debate que já vem de longa data entre os policiais civis é a existência de funcionários adidos à órgãos da PCERJ. São pessoas de diversas instituições, federais, estaduais e municipais, de cargos totalmente sem identificação com o serviço policial.

Funcionários administrativos municipais, bombeiros militares, PMs, agentes do DESIPE, guardas municipais, e até auxiliares de enfermagem!

Recentemente lavrei um Auto de Prisão em Flagrante de uma certa Delegacia Especializada em que o apresentante era um guarda municipal e a testemunha um policial militar. Eu perguntei três vezes ao apresentante o cargo dele.

Corpo de BombeirosAgora vem a imprensa e afirma que o motivo de nos últimos anos uma considerável quantidade de bombeiros estar envolvida em situações criminosas é culpa do convívio com policiais civis. Lamentável conclusão do jornalista dotado de poucas luzes intelectuais.

Quando o atual Chefe de Polícia assumiu o cargo, disse que iria devolver para seus respectivos órgãos todos os servidores que não pertencem aos quadros da Polícia Civil. E ele bem tentou. Em uma só publicação do BI (nosso boletim interno) contei a remoção mais de 40 PMs com patentes de Soldado à Major. Foram devolvidos agentes do DESIPE, inúmeros bombeiros, etc. Só que a maioria já conseguiu voltar. E os que não voltaram “trabalham” oficiosamente com a mesma equipe que compunham antes oficialmente.

A primeira falácia da reportagem é que a Polícia Civil convocou estes servidores para trabalharem em funções administrativas. Mentira, todos que aqui estão deve-se à influências políticas. Quem arruma um “contexto” pode fazer o concurso para soldado do Corpo de Bombeiros, ou da PM, e nunca trabalhar nestas instituições. Tão logo consegue o registro funcional é colocado para trabalhar em uma unidade da polícia judiciária estadual.

Outra mentira é que estes servidores “acabam sendo lotados em delegacias, inclusive especializadas, e vão para as ruas investigar crimes sem ter recebido qualquer treinamento para exercer a função”. Eles não acabam sendo lotados, são diretamente lotados nas delegacias, na maioria em Especializadas, de acordo com o interesse do político que lá os colocou. É verdade porém que eles nunca receberam qualquer treinamento para exercer a função investigativa, mas duvido que eles estejam aqui para investigar.

Muitas vezes o cidadão vê uma viatura da PCERJ e pensa que são policiais civis, afinal estão na viatura da corporação e com uma camisa preta escrita “Polícia Civil” nas costas. Muitas vezes nem policiais são. Quando eu trabalhei na Região dos Lagos, em uma determinada Delegacia quem mandava era um Sargento PM, que lá estava lotado por influência do Prefeito. O Delegado era da espécie “jockey”, daqueles que ocupam a titularidade apenas de fachada.

Aí vem o pensamento, em nenhum momento sequer eu pensei em tentar ser deslocado para outro órgão. Eu fiz o concurso para a função que eu queria desempenhar, não obstante poder ter feito outros concursos com menos ou mais exigência de conhecimentos para ser classificado. Nunca, jamais, quis fazer policiamento ostensivo. Nunca quis combater incêndios ou participar de resgates. Nunca quis administrar carceragens e controlar presos. Nunca quis fazer curativos em pessoas feridas. Eu almejo por exemplo desempenhar a função de presidir um Inquérito Policial, mas pra isso vou ter que passar em concurso para Delegado. Eu almejo processar criminosos, mas pra isso vou ter que passar no concurso da Promotoria de Justiça. Eu escolhi fazer investigação, porque julgo ser o que há de mais importante e excitante. Quem escolheu outra área deve pensar a mesma coisa de suas funções, e é assim que a sociedade se estrutura, assim temos profissionais para tudo.

Aliás eu não entendo algumas coisas no Corpo de Bombeiros. Não entendo porque tem que ser uma instituição militar. E não entendo porque bombeiro tem porte de arma. Acredito que o primeiro deva ser para manter os praças sob controle de forma autoritária e em desrespeito aos direitos individuais através do Regime Disciplinar. O segundo deve ser para permitir que o servidor faça bico na segurança privada para complementar o salário, já que o Governo paga uma remuneração indigna aos bravos combatentes. Nas duas suposições lucram o Governo e as grandes empresas, como a globo. Contratar segurança particular pode ficar muito caro se o salário dos policiais e militares estaduais for razoável.

Adidos: não os queremos na PCERJ. Queremos sim trabalhar no dia a dia em conjunto e cooperação, mas não precisamos de vocês fazendo o que fazem atualmente dentro da Polícia. Nem a sociedade merece isso.

Tenho bons amigos que labutam nas mais diversas funções, no Executivo, no Legislativo e no Judiciário. Tenho amigos na PM, no Bombeiros, na ALERJ, nos Tribunais. Mas cada um desempenha a função que escolheu desempenhar. Assim como procuro desempenhar a que eu escolhi, ainda que ultimamente com má vontade e desestímulo. Não é nada pessoal, é puramente um fato, cada um deve fazer o serviço que se propôs a fazer quando prestou concurso.

De qualquer forma, gostei do tema da matéria jornalística, e penso termos, nós policiais e o jornalista, o mesmo desejo: ver na Polícia Civil apenas policiais civis, na PM apenas policiais militares, no CBM apenas bombeiros militares. Ainda que tenha que engolir que seria uma medida para proteger aqueles inocentes bombeiros que foram desvirtuados pelos policiais corruptos, essa péssima influência…

E que conste que este artigo critica apenas a afirmativa de que os bombeiros envolvidos em crimes o foram por influência dos “puliças”. Não contesto que existam criminosos nos quadros da Polícia Civil, aliás nós mesmos afirmamos veementemente que existe sim, e não são poucos.

Quanto aos funcionários cedidos, pelos bate-papos que tenho com colegas da PMERJ, CBMERJ e outros, a opinião é a mesma. Todos deveriam ser obrigados a voltar para suas funções, e a politicagem tem que ser banida. E você, bombeiro, agente penitenciário, policial militar… o que você pensa dos colegas que não dividem o trabalho com vocês, sobrecarregando quem fica na corporação que optou por integrar? Opinem, eu sei que este texto vai desagradar muita gente.