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Traficantes no rádio, Caveirão na favela

Publicado em 20/05/2007 - Categoria: De Praxe

Nesta reportagem do site de notícias G1 da rede globo dá para as pessoas que não são ligadas à área de Segurança Pública terem uma noção do que acontece de verdade. Também serve de informação para os policiais de outros estados saberem o tipo de marginais quem enfrentamos por aqui.

Um morador da favela da Grota (onde foi morto o jornalista Tim Lopes) no Complexo do Alemão resolveu abrir o jogo e contar como os marginais agem dentro da favela, e confidenciou ainda que possui um rádio para ouvir as conversações dos bandidos, cedendo à reportagem uma gravação, onde traficantes se posicionam, atiram e informam sobre a localização do veículo blindado da PM (vulgo Caveirão).

Se eles apagarem a reportagem, deixo aqui alguns trechos do depoimento do morador/informante:
“Tem dois bares onde constantemente os traficantes fazem festas e churrascos. No primeiro dia de operação na Vila Cruzeiro, antes da chegada do blindado, estava tendo uma confraternização entre os traficantes nesses bares. Nesse dia, alguns amigos estavam na rua e viram quando chegou um traficante num carro vermelho. Dentro do carro, tinha uma mulher baleada no rosto, de calça jeans e blusa branca. O bandido teria roubado o carro e baleado a mulher. Eles tiraram até carrinho de criança de dentro do carro enquanto estavam na confraternização.”

“A passeata pela paz realizada na região foi organizada pelo tráfico. No dia em que as pessoas estavam organizando o evento tinha a presença de um cara armado. Isso eu vi. Agora me diz: se tem uma passeata pela paz, porque tinha um cara de moto e armado onde só tinha senhoras e crianças? O boato era de que foi ‘pedido’ para que as pessoas saíssem de casa para se manifestar contra a ida do Caveirão na comunidade. Geralmente esses ‘boatos’ procedem. Eles chegam até nossos ouvidos como ‘boato’ para não ter que dar nomes dos mandantes.”

“Eu já me acostumei com a violência. O primeiro que você vê morrendo você não consegue dormir. O segundo você passa mal, mas consegue dormir mais ou menos. No terceiro, quarto, quinto assassinato, você assiste a um cara sendo morto comendo pão com goiabada. Você acaba ficando frio, como um médico que abre uma pessoa normalmente.”

“Nesta ocupação, a gente ouve, muitas vezes, no rádio, os traficantes pedindo para a polícia parar de atirar porque atingiu um morador. Mas, na verdade é um bandido. Muitas vezes a polícia atira e atinge um bandido e os próprios comparsas falam pelo rádio que é um morador para tentar salvar.”

“É normal acordar de manhã e ter um cara sentado na calçada com um fuzil na mão. Teve uma vez que tinha uma garota drogada e pelada na minha calçada. Dava para perceber que era uma garota de classe média, com traços finos, que não era da favela. Os bandidos devem ter estuprado ela. Essas jovens entram no baile funk porque é moda e, depois do uso de drogas, ficam nas mãos dos bandidos. Os caras fazem o que querem e depois as largam nas ruas. Isso pode chocar a sociedade, mas, na nossa realidade, isso é corriqueiro, é comum.”

Fonte: Portal de Notícias G1

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