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Políticas versus Polícia Investigativa

Publicado em 01/05/2007 - Categoria: De Praxe

Travas Pol�ticas

Nos últimos dias, o Jornal do Brasil tem publicado reportagens sobre a quantidade absurda de Inquéritos Policiais abandonados, informando ainda que cerca de 30 mil destas investigações apuravam crimes que já prescreveram sem que fossem devidamente elucidados.

Isso nós Policiais Civis já sabíamos, e cansamos de falar abertamente e procurar espaço para denunciar esta verdadeira irresponsabilidade do Governo, mas somente agora um veículo de comunicação resolveu escrever sobre isso. E diga-se de passagem, mantendo os leitores em erro, pois “informa o milagre mas não fala o santo”. Em um outro post vamos ter a oportunidade de comentar o verdadeiro engodo e atentado contra a polícia judiciária que são as chamadas “Delegacias Legais”, implementadas nos “governos garotinhos”.

Agora, o assunto é: a Polícia Civil é a chamada polícia repressiva, a que reprime o crime, identifica o autor, e permite ao Estado aplicar a pena cabível após processo criminal. O grande porém é que a Polícia Civil pouco investiga !

Por conta de organizações criminosas que atuam externamente e também internamente na Polícia Civil/RJ, uma grande variedade de delitos deixam de ser reprimidos. São óbvios e estão à vista de todos: Clínicas de aborto, casas de prostituição, comércio que sonega ICMS/ISS, jogo do bicho, agiotagem, e demais modalidades criminosas de prática reiterada que é de conhecimento do Governo, Imprensa, Ministério Público, Poder Judiciário, Poder Legislativo, enfim, todos que podem forçar diretamente a apuração dos crimes mas por algum motivo obscuro (o qual o leitor pode imaginar livremente) fazem vista grossa e apenas culpam a Polícia quando o assunto vem à tona. E a despeito de pretensos puritanos Oficiais da PM que vêm reclamando dos citados crimes “não combatidos pela Polícia Civil”, a Polícia Militar também misteriosamente não os combate (ora, se o PM avista uma máquina caça-níquel, sabendo que trata-se de contravenção, que a arrecade e apresente-a na Delegacia da área para as medidas cabíveis. Se o “delegado” se negar a registrar acho que sabem bem o que fazer…).

Enfim, toda esta atividade criminosa é aturada por boa parte dos Policiais Civis que trabalham no Rio. É sabido que (disso excluo o atual Chefe de Polícia até o presente momento), qualquer medida individual de combate à estes crimes é seguida de um chamado “bico”, ou seja, o Policial que ousou interferir na atividade criminosa que locupreta as esferas de poder é transferido (“bicado” na gíria policial) no dia seguinte, de preferência para uma Delegacia longe no mínimo 400Km de seu local de moradia. Tudo bem, diriam alguns, afinal o cara fez concurso para o Estado, mas esquecem-se da família que fica para trás, e dos custos financeiros e físicos/mentais do transporte e deslocamento entre os mais distantes municípios, sem que haja qualquer compensação financeira.

Quando não é isso, o próprio Governo parece boicotar o trabalho de investigação, determinando que esquipes da Polícia Civil, num flagrante desvio de função, façam patrulhamento em viaturas ostensivas pela cidade, em uma ação populista que busca iludir a população/eleitorado com a tal “sensação de segurança”. Neste ponto faço uma observação: quando ocorrem “rondas” de viaturas da Polícia Civil, o número de registros da localidade alvo caem mais da metade. E – explica-se – não que os praças da PM sejam incompetentes em suas funções (pelo contrário, são destemidos guerreiros), mas pela aparente “falta de bom senso” de quem determina que viaturas fiquem baseadas em locais ridículos, com os PMs funcionando como alvos de marginais sem que possam se deslocar para atender qualquer tipo de ocorrência policial sem determinação por rádio. Ou baseadas em pontos estratégicos-comerciais, mas deixa pra lá, o assunto aqui é outro…

Retomando, este assunto é demasiadamente extenso para ser tratado em um tópico, e assim o fazendo a leitura seria por demais cansativa e espantaria o leitor.

Mas em resumo, uma grande maioria dos Policiais Civis querem por em prática seu ofício, definido pela Constituição Federal: INVESTIGAR! Mas essa grande maioria, inexplicavelmente vem sendo controlada, amansada e encoleirada por uma pequena parcela que (“explicavelmente”) detém o poder de controle na instituição. Uma boa parte destas pessoas interessadas na “não investigação” vem sendo exposta e revelada à população, mas ainda falta bastante, “para cima (bem mais acima) e para baixo”.

Percebam que a parte boa da Polícia Civil (os verdadeiros Policiais, explique-se) está novamente tentando mudar as coisas e retomar o rumo da segurança pública, aproveitando-se de um aparente enfraquecimento da “banda podre”. Mas é necessário apoio incontinenti e incisivo da opinião pública, da imprensa e dos membros do Ministério Público e Judiciário que escolheram “o lado branco da força”.

É isso, é agora, ou não tem mais volta. Reconfortem-se com a guerra civil instalada em nossa cidade e cada um por si, que eu vou embora. E o último a sair apaga a luz porque quem ficar “tá no gato”.

Aproveito a oportunidade para indicar um trabalho elaborado há alguns anos objetivando a melhoria e independência de politicagem das Polícias Civis, o que espero ser posto em prática um dia. O link está disponível no site do Ministério da Justiça, mas vou adiantar o seu lado

01 comentário »

  • edpo comentou:

    eu acho policia investigativa muito lgal mas eu queria saber quanto ganha, como eu faso para ser um se vc puder me responder manda ai no meu e-mail

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